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quarta-feira, dezembro 31, 2003  
Edward Gorey será um dos melhores autores de qualquer coisa que não se sabe bem o quê do século vinte

we anticipate our Gorey end



A culpa é do Francisco que os pôs a cantar o “Autumn leaves”.
Lembrei-me deste álbum e era o que queria ouvir agora mas onde é que vou buscar The Gorey End a esta hora? As lojas já estão a fechar, se é que ele existe nas lojas… paciência, vou ler “A bicicleta epipléctica” (uma das “Quatro estórias”, traduzidas por Margarida Vale de Gato e editadas pela errata).

Encontramo-nos em 2004 (vai ser bom, não é?), até já...

Hipdeep Family

In January Cousin Fred
We found him in the attic dead.
In February’s odd adventure
Father lost his dentures.
In March Fiona got a fright
When she was coming home one night.
Some people in a long black car
Made her get in and drove her far.
In April Horace left behind
Without a thought what little mind
He may have had. In the result
He joined an unknown eastern cult.
In May Aunt Flo began to sneeze,
Which heralded some strange disease.
In June James got himself arrested
And still is far and wide detested.
In July Mama’s pin money dwindled
Away to nought when she was swindled.
In August Bruno had a fit,
A passing tot he fiercely bit.
In September Amy’s luck was rotten
While singing Die Frau ohne Schatten.
In October Alice was betrothed
To Edgar whom she found she loathed.
In November it was rather frightening
When Baby Boo was struck by lightning.
The experts think perhaps he’ll walk
And even learn to sort of talk.
We spent December on a cruise,
Where everyone was sad to lose
Miss Grey in Norway’s deepest fjord,
She happened to fall overboard.
So much for us - we trust that you
Have managed somehow to get through
The year and so can celebrate
A bit before the hand of fate
Shall get us in its clutch again,
But we anticipate our Gorey end.

posted by Anónimo on 17:39


 


Ele aprendeu russo para descobrir o que acontecia aos lábios do menino num poema de Arsenii Tarkovski. Lera o poema em muitas versões, em muitas línguas, e depois ficou obcecado pela página de um livro, pelos caracteres que não conhecia e que de alguma forma tinha de desvelar. Deve tê-lo feito sozinho, comprou livros e dicionários, passou tardes inteiras no Cinema del Silenzio, vendo filmes de Andrei Tarkovski, e tempos depois fez a viagem à Rússia de que me falava de vez em quando, parecia só ter visto cúpulas de igrejas e neve, e livros, pequenas livrarias onde encontrara volumes estranhos, os que estão naquela estante. Foi também nessa viagem que comprou os ícones, a reprodução da Santíssima Trindade de Andrei Rubliev, que está no quarto da torre, e os dois mais pequenos, que me deu, os dois anjos, um vestido de verde, um de azul, os meus anjos.

Ana Teresa Pereira, “A Linguagem dos Pássaros”
© Relógio d’Água

posted by Anónimo on 15:47


 
Nostalgia II





Num mundo em que existe a ameaça real de uma guerra capaz de aniquilar a humanidade, onde os males sociais existem em uma escala assustadora, e onde o sofrimento humano clama aos céus – é preciso encontrar um modo de fazer com que as pessoas se encontrem umas com as outras. Esse é o dever sagrado da humanidade em relação ao seu próprio futuro e o dever pessoal de cada indivíduo.

Andrei Tarkovski

posted by Anónimo on 15:23


 
A explicação dos dias

por empregado da EDP, na terça-feira dia 30 de Dezembro:

– Amanhã não é bem um dia, na quinta é feriado e na sexta, bom, na sexta vamos andar no rame-rame, o melhor é deixar para segunda-feira…


Claro, o mundo continua no dia 5 de Janeiro.

posted by Anónimo on 12:48


 
Mais logo, é favor não se esquecerem de usar telemóvel para desejar Bom Ano aos mais distantes! Mesmo que as redes não funcionem é de tentar!


© Martin Parr EVIDENTEMENTE

(O que eu queria mesmo era deixar mais uma fotografia do Martin Parr heheh)

posted by camponesa pragmática on 11:03


 
sob escuta



posted by Anónimo on 10:53


terça-feira, dezembro 30, 2003  
Uma casa em Itália, sobre o mar, para a Lídia



Eugenio Montale, Casa sul mare

© RAI

posted by Anónimo on 14:07


 
Fim de 68



Contemplei da lua, ou quase,
o modesto planeta que contém
filosofia, teologia, política,
pornografia, literatura, ciências
exatas ou arcanas. Nele há mesmo o homem,
e eu entre eles. E tudo é muito estranho.

Dentro de poucas horas será noite e o ano
terminará entre explosões de espumantes
e fogos de artifício. Talvez de bombas e coisas piores,
mas não aqui onde estou. Se alguém morre
ninguém se importa desde que seja
desconhecido e longe.

Eugenio Montale, tradução de Geraldo Holanda Cavalcanti

posted by Anónimo on 13:16


 
sob escuta



1. Offering After a slow introduction saxophone plays the Shankar raga melody, subsequentyly enriched by the two other saxes. A long middle section in quicker tempo treats the material more freely in several parts, consluded with a shorter reprise of the opening theme.
2. Sadhanipa The title based on the solfege notes (svaras): "SA DHA NI PA" from the indian octave (saptaka) based on the first four tones of the Glass melody: "Do La Ti So" (D-B-C-A). An opening "ad lib" trumpet statement, echoed in the bass bamboo flute. Then the chamber orchestra develops the theme in 4/8-6/8-7/8. The Finale recapitulates the original Glass theme.
3. Channels And Winds is an intrumental work with vocalist in A-B-A-B-A-B form which was conceived as a bridge between the two Shankar compositions based on the Glass melodies.
4. Ragas In Minor Scale The Glass theme is introduced, after the veena introduction, by the cello.The opening section is in 6/8, middle section 4/8, closing in 4/8.
5. Meetings Along The Edge A fast-paced work based on: 1) a "Middle Eastern" sounding Shankar theme in 7; 2) a seconf theme also by Ravi and also in 7 but a somewhat different lenght; 3) A Glass theme in 4. Glass also added an Introduction and other rithmic ideas. The themes are stated, blended and combined in the Finale.
6. Prashanti (Peacefulness) An extended orchestral work in two parts:
• Musical depiction of joyfull people living in armony. Slowly, greed, envy, batred and violence creep into thir contented live.
• "Out of this chaos a voice sings out in Vedie prayer:

Hey Nath, hama para kripa kijiye. Door kara andhakar, gyan ka aloka dijiye, binsa dwesh lobha bamesse chhin lijiye, manamey prem shanti bhar dijiye."

(Oh, Lord. Be benevolent to us. Drive the darkness away. Shed upon us the light of wisdom. Take the jealousy, envy, greed and anger from us, and fill our hearts with love and peace.)

... and a feeling of spiritual awakening, peace and tranquillity descend upon people's minds.

posted by Anónimo on 13:02


segunda-feira, dezembro 29, 2003  


Prémio black hole

Na bilheteira do Arco do Cego:
- Que expressos há para o Baixo Alentejo das 18 e 30 em diante?
- Bem, tem um para Évora às 14 horas e...
- Baixo, das 18 e 30 em diante... – acompanho isto com um sorriso do mais simpático que há, sem ponta de ironia na voz, mas como não domino os olhos algo disseram em sentido contrário por mim pois a funcionária quase chorou ao ouvir-me; e corou e tentou resposta mais eficiente que a primeira:
- Isso é com as Informações, ali ao fundo. - aponta, já com semblante vitorioso, vingado, feliz!

A culpa foi minha. A obrigação de uma funcionária de bilheteira é vender bilhetes não é cá saber o nome das regiões do país ou cá esquisitices horárias! Isso é com o funcionário das Informações. Claro, claro. Grrr.

posted by camponesa pragmática on 14:57


domingo, dezembro 28, 2003  
Longer Journeys



O Pavilhão de Portugal, disse-o várias vezes e insisto, é uma escultura que é um desenho; porque é o marcar de uma ligeireza e de uma transparência que se faz sobre uma folha, sobre um suporte que é o espaço onde ela vai ser construída.

Pedro Cabrita Reis

Para ler na INTERACT #9:
Os sistemas circulatórios de Pedro Cabrita Reis, por Maria Luisa Soares de Oliveira
La crise l'esprit (1919), por Paul Valéry




posted by Anónimo on 22:57


 
a window, a door and a protected corner



What features does a "room for a poet", 2000, need? Cabrita Reis says: a window, a door and a protected corner.

When discussing his "buildings", therefore, Cabrita Reis continually talks about feelings and emotions, intimations or longings, fears and doubts as well as about the confrontation with reality and about the stimulation of awareness that all his works are intended to serve.
For example, he says: "As an artist and speaking in a completely philosophical sense, I am interested in one of people's fundamental activities: the act of building. For this special reason, I am especially touched by materials that have a memory. I see myself as someone who creates ambivalences and ambiguity, as a conveyor of memories. Primary sociological and political questions do not interest me particularly. Art that is produced in this context reduces the complexity and depth of its interaction with the observer. In art, the aim is not to ask questions but to make statements."

© a-matter


posted by Anónimo on 22:50


 
"Quer um cafezinho?"


Rembrandt, "Aristotle with a Bust of Homer", 1653, © The Metropolitan Museum of New York

Ferreira Gullar entrevistado por Carlos Câmara Leme, no Mil | Folhas.
Para os arquivos.

posted by Anónimo on 20:56


 
sob influência



Can you see the light?
It shines onto us tonight
Can you see the light?
It’s all around you
...

posted by Anónimo on 17:40


 
Ontem trouxe a “Poesia Completa” de Luís Miguel Nava (Publicações Dom Quixote) da Biblioteca. O livro já passou por outras mãos e alguém marcou este poema dobrando a página 61:

Não muita vez

Não muita vez nos vemos, mas, se poucos
amigos há para falar
dos quais me sirvo de relâmpagos, de todos
é ele o que melhor vai com a minha fome.

Os dedos com que me tocou
persistem sob a pele, onde a memória os move.
Tacteiam, impolutos. Tantas vezes
o suor os traz consigo da memória, que não tenho
na pele poro através
do qual eles não procurem
sair quando transpiro. A pele é o espelho da memória.



Eu marco este na página 111:

Só para mim

Queria ter o sol só para mim, tê-lo de forma a dele poder de vez em quando ceder parte apenas a um dos meus mais íntimos amigos.



Para ler na Agulha # 25:
Luís Miguel Nava: o corpo como inscrição do real ou o corpo radical , por Maria João Cantinho


posted by Anónimo on 17:11


 
Bailarina com meias vermelhas


Edgar Degas, c. 1884. Pastel sobre papel cor-de-rosa. Colecção privada

David Sylvester – Mas por que se tem de distorcer tão livremente, como fazem os artistas modernos – e como você próprio faz –, e não simplesmente executar aquele tipo de síntese à moda, por exemplo, de Degas?

Francis Bacon – Pode ser, mas a fotografia no tempo de Degas ainda não era desenvolvida como hoje. Outra coisa é que, quando você fala de Degas, os grandes Degas realmente são os pastéis, e não se esqueça de que nos pastéis ele sempre faz estrias na forma com aquelas linhas que são desenhadas através da imagem e, em certo sentido, isso ao mesmo tempo intensifica e diversifica a realidade. Sempre achei que o interessante em Degas é a maneira como fez as linhas ao longo do corpo: é como se ele colocasse o corpo atrás de venezianas, como se de certo modo vedasse a imagem com venezianas e depois pusesse uma enorme quantidade de cores permeando as linhas. E uma vez disfarçada a forma, a intensidade seria dada pelo colorido da carnadura. Do mesmo modo que as técnicas do cinema e de tudo quanto é forma de gravação foram aperfeiçoando-se, também o pintor está na obrigação de tornar-se cada vez mais inventivo. Ele tem de inventar o Realismo. Ele tem de, com a sua criatividade, trazer de volta o Realismo para o sistema nervoso, porque não existe mais um naturalismo na pintura de hoje. Mas alguém seria capaz de responder por que muito frequentemente, ou quase sempre, as imagens acidentais são mais reais? Talvez porque, não tendo sido modificadas pelo pensamento consciente, elas tenham encontrado um sentido mais puro e verdadeiro do que uma coisa que tivesse sido modificada pela consciência. Nesse sentido, isso é muito parecido, claro, com a arte que as crianças fazem; mas estou falando da arte de uma criança muito pequena, porque sabemos que, depois dos sete ou oito anos – ou até antes, quando elas começam a ser influenciadas pelo meio –, toda a espontaneidade e vitalidade desaparecem e tudo se torna muito chato. Mas o problema com a arte infantil é que mesmo quando ela é da melhor espécie ainda não basta.

retirado de “Entrevistas com Francis Bacon – A brutalidade dos factos” de David Sylvester, edição brasileira da Cosac & Naify e enviado para o Pedro.

posted by Anónimo on 16:44


 
Depois do banho, mulher enxaguando-se


Edgar Degas, c. 1903. Pastel, 69,9X73 cms. National Gallery, Londres

Francis Bacon – Bom, claro, nós somos carne, somos carcaça em potencial. Sempre que entro num açougue penso que é surpreendente eu não estar ali no lugar do animal. Mas usar a carne dessa maneira particular talvez seja igual à maneira como alguém usaria a espinha, porque estamos sempre vendo imagens do corpo humano através de chapas de radiografia, e isso obviamente modifica o modo como se pode usar o corpo. Você deve conhecer o belo pastel de Degas na National Gallery, de uma mulher lavando suas costas. E pode ver bem lá no alto da espinha que o osso quase vem para fora da pele. Isso dá uma tal força e imprime uma tal distorção que você passa a perceber a vulnerabilidade do resto do corpo, mais do que se Degas tivesse desenhado a espinha subindo naturalmente até o pescoço. Ele quebra a coisa para que ela pareça saltar da pele. Não importa se Degas fez isso de propósito ou não, é esse detalhe que torna o quadro ainda mais admirável, pois você de repente passa a perceber tanto a espinha quanto a carne, que em geral ele simplesmente pintava cobrindo os ossos. No meu caso, não resta dúvida de que essas coisas são influenciadas por chapas de radiografia.

retirado de “Entrevistas com Francis Bacon – A brutalidade dos factos” de David Sylvester, edição brasileira da Cosac & Naify e enviado para o Pedro.



posted by Anónimo on 15:34


 

© Pekka Parviainen

posted by camponesa pragmática on 02:08


sábado, dezembro 27, 2003  
é sempre assim,

os amigos oferecem-nos livros que nós já sabiamos que eram nossos.

[...] e a morte é assim, pessoas num carrossel que estendem a mão como quando somos crianças e tentamos quebrar a segurança de uma coisa. Que as cidades sejam suicidas, que mordam a infância com o ténue vaticínio que se apresenta com a cadência das vestes dominicais, que tudo se encontre sobre o pêndulo dos números, que a vida seja terrível e concentrada em três movimentos harmoniosos.

Que se abra...

um mundo estranho.


Entre o Vulcão e a Madragoa, por Alexandra Lucas Coelho

posted by Anónimo on 13:51


 
Visita ao Ermitage





Hoje o tema do canal arte é o Ermitage, famoso e belo Museu de São Petersburgo onde Sokurov filmou A Arca Russa, num só plano, um projecto audacioso. Convém ligar a televisão às 21h30 e ver tudo.

Une préparation précise
Recomposant l'histoire russe sur plusieurs générations pendant un long plan séquence d'une heure et demie, la préparation technique et des acteurs de L'Arche russe a nécessité une préparation très précise. Il a en effet fallu gérer après des mois de répétitions, dans le musée l'Ermitage dont la surface correspond à une trentaine de plateaux de tournage, trois orchestres, 22 assistants à la réalisation et 867 acteurs et figurants.

Pourquoi un plan séquence?
Alexandre Sokurov explique son intention d'exposer L'Arche russe en un seul plan-séquence dans le musée de l'Ermitage: "(...) le producteur Andreï Deriabine m'a proposé de participer à un projet important qui serait basé sur l'Ermitage. Il connaissait ma grande admiration, ma révérence presque religieuse envers ce musée. J'ai eu alors une idée, mais elle était très coûteuse et extrêmement difficile à réaliser. L'idée était de tourner le film, disons, sans reprendre son souffle".

Un défi technique
L'Arche russe (The Russian ark) a été tourné en une seule fois le 23 Décembre 2001 dans le musée de l'Hermitage de Saint Petersbourg. Aucune coupure, et donc aucun montage, n'ont été nécessaires pour présenter le film. Néanmoins, aucune erreur durant le tournage n'était permise, aussi bien pour les acteurs que pour les techniciens. Cet exploit n'avait encore jamais été réalisé auparavant.

Une technologie de pointe
Pour pouvoir répondre au défi technique de tourner un film sans aucune coupure, Aleksandr Sokurov a dû se mettre à la pointe de la technologie numérique, les moyens de tournage classiques ne répondant pas à de telles exigences. C'est lors du Marché de Cannes en 2000 que le metteur en scène a découvert un tout nouveau genre de caméra numérique, avec un excellent rendu visuel et qui permet de tourner un film d'une heure et demie en une seule prise.



posted by Anónimo on 12:48


 
Encontrei um templo :)


© Pekka Parviainen

posted by camponesa pragmática on 00:27


sexta-feira, dezembro 26, 2003  

Sometimes it's night on the ground but day in the air. As the Earth rotates to eclipse the Sun, sunset rises up from the ground. Therefore, at sunset on the ground, sunlight still shines on clouds above. Under usual circumstances, a pretty sunset might be visible, but unusual noctilucent clouds float so high up they can be seen well after dark. Pictured above, a network of noctilucent clouds casts a colorful but eerie glow visible above the dark. Although noctilucent clouds are thought to be composed of small ice-coated particles, much remains unknown about them. Recent evidence indicates that at least some noctilucent clouds result from freezing water exhaust from Space Shuttles. apod


Pekka Parviainen (Polar Image)


posted by camponesa pragmática on 23:52


 
sob escuta

Amou daquela vez como se fosse a última
Beijou sua mulher como se fosse a última
E cada filho seu como se fosse o único
E atravessou a rua com seu passo tímido
Subiu a construção como se fosse máquina
Ergueu no patamar quatro paredes sólidas
Tijolo com tijolo num desenho mágico
Seus olhos embotados de cimento e lágrima
Sentou para descansar como se fosse sábado
Comeu feijão com arroz como se fosse um príncipe
Bebeu e soluçou como se fosse um náufrago
Dançou e gargalhou como se ouvisse música
E tropeçou no céu como se fosse um bêbado
E flutuou no ar como se fosse um pássaro
E se acabou no chão feito um pacote flácido
Agonizou no meio do passeio público
Morreu na contra-mão atrapalhando o tráfego

Amou daquela vez como se fosse o último
Beijou sua mulher como se fosse a única
E cada filho seu como se fosse o pródigo
E atravessou a rua com seu passo bêbado
Subiu a construção como se fosse sólido
Ergueu no patamar quatro paredes mágicas
Tijolo com tijolo num desenho lógico
Seus olhos embotados de cimento e tráfego
Sentou para descansar como se fosse um príncipe
Comeu feijão com arroz como se fosse o máximo
Bebeu e soluçou como se fosse máquina
Dançou e gargalhou como se fosse o próximo
E tropeçou no céu como se ouvisse música
E flutuou no ar como se fosse sábado
E se acabou no chão feito um pacote tímido
Agonizou no meio do passeio náufrago
Morreu na contra-mão atrapalhando o público

Amou daquela vez como se fosse máquina
Beijou sua mulher como se fosse lógico
Ergueu no patamar quatro paredes flácidas
Sentou para descansar como se fosse um pássaro
E flutuou no ar como se fosse um príncipe
E se acabou no chão feito um pacote bêbado
Morreu na contra-mão atrapalhando o sábado


posted by camponesa pragmática on 23:29


 
Pensa que, por vezes, quando vemos nações estrangeiras onde há opressão, partimos do princípio de que os seus habitantes são pessoas formidáveis? Melhores do que na realidade são?

Sim, sem dúvida nenhuma! É sistemático. Quando qualquer país, ou classe, ou seja o que for, é injustamente tiranizado, as pessoas com sentimentos humanos de bondade começam a pensar que os oprimidos devem ser impecáveis e cheios de encantos. E depois, é claro, esses oprimidos acabam por se libertar, e assim que o conseguem tratam de pôr em prática, tanto quanto podem, todos os vícios que anteriormente eram praticados pelos seus opressores.

Bertrand Russell, A Minha Concepção do Mundo

posted by picatostes on 18:53


 
Winter Sky

During the winter Orion dominates the sky. The constellations striking appearance is easy to spot and fun to view everytime you go outside into the cold.


© Cees Bassa

The Winter Sky
Optics: Zuiko 28 mm F/2.8 at F/2.8
Camera: Olympus OM-1
Exposure Time: 6 minutes
Film: Kodak Elitechrome 100 (EB-2)
Date: 2001 January 15
Time: 21:05 CET (20:05 UT)
Location: Beesd, The Netherlands (Europe)


Below Orions Belt hangs its sword in which we can see the famous Orion Nebula. Both the belt and sword can be seen in this picture.

The two brightest stars of Orion are Betelgeuze and Rigel. These stars clearly show the difference in colors between individual stars. Betelgeuze shows orange on this image while Rigel is bright white. On better images Rigel clearly shines blue light. The color difference between the stars is caused by the different properties of both stars. The temperature on Betelgeuzes surface is much lower than on Rigels. Betelgeuze has a surface temperature of a mere 3500 Kelvin while Rigels surface temperature is some 10000 Kelvin.



Also on this image is the Rosette Nebula, a reddish nebula in Monoceros, the Hyades, the Pleiades with Jupiter and Saturn in between.



astro.uu.nl

posted by camponesa pragmática on 17:10


 

Charles Harbutt | Gare Montparnasse, Paris | 1973

artsmia.org

posted by camponesa pragmática on 17:02


 

Thomas F. Arndt | Night Sky Near Bismarck, North Dakota | 1981

artsmia.org

posted by camponesa pragmática on 16:57


 
Como tu, leitor

O homem cansa-se de ser coisa, a coisa que serve sabendo-se coisa, coisa de silêncio em sua potência de impulso irado. A hombridade do homem, de muitos homens cansa-se atrozmente.

Já não podem parar-se as mãos sujas por dever e fortes. Muitos olhos - sem óculos - vêem ou entrevêem mais além, embora se inclinem para o chão e seus atoleiros de leis.

Máquina junto às máquinas, ou só na tempestade. Animal sob um sol de selva, ou numa selva urbaníssima. E as cores da pele cansam-se da sua cor.

As cores cansam-se de ser o branco, de ser o amarelo, de ser o negro: prostração. E milhões de milhões de fadigas chegam a formar, erguendo-se por fim, uma só figura.

Nem herói nem monstro. Uma figura humaníssima que violentamente tudo arrasta, destruindo e arrasando à maneira da Natureza com furor geológico - e mental. Mas não. É crise de História.

Crise que assombraria os próprios deuses se atentassem nos nossos lodos de arrabalde. Os arrabaldes vislumbrar-se-iam inundados e já arrebatados por marés com raiva de destino.

Esta vez desiquilibra-se o planeta. Sobre os magníficos precipitam-se as cores, e os sujeitos, um a um sujeitos, engrossam multidões que são, ai!, massas compactas.

Massas de homens que poderiam, um a um, ser homens. Homens como tu, leitor que lês, livre, envolto em teu domínio de pele, com um volume na mão, livre.

Deixa de ler, olha as cortinas da janela. Não, não as move a brisa. Respondem a isso tão fugaz que foi um movimento sísmico. Atenção: não anuncia mais que...

A ti também te anuncia a catástrofe das catástrofes? Terminará a escravidão? Haverá homens que não sejam coisas? Homens como tu, leitor, sentado na tua cadeira. Nada mais.

Jorge Guillén
tradução de José Bento

posted by camponesa pragmática on 16:48


 

Eadweard Muybridge | Animal Locomotion Plate 386 | 1887

artsmia.org

posted by camponesa pragmática on 16:34


 
Consinto

Devo morrer. E, contudo, nada
morre, porque nada
tem fé suficiente
para poder morrer.

Não morre o dia,
passa;
nem uma rosa,
apaga-se;
resvala o sol,
não morre.

Somente eu, que toquei
o sol, a rosa, o dia,
e acreditei,
sou capaz de morrer.

José Ángel Valente
tradução de José Bento

posted by camponesa pragmática on 16:33


 


Robert Welsh
© Ruth Silverman

posted by Anónimo on 14:17


quinta-feira, dezembro 25, 2003  
e a água me entrava nos sapatos

Eu, naquele inverno, estava tomado de furores abstratos. Não direi quais, não é isso que me proponho a contar. Mas é preciso dizer que eram abstratos, nada heróicos, nem vivos; de qualquer maneira, furores pelo gênero humano perdido. Vinha assim há muito tempo, e andava cabisbaixo. Via manchetes nos jornais sensacionalistas e abaixava a cabeça; estava com os amigos, uma hora, duas horas, e ficava com eles sem abrir a boca; abaixava a cabeça; e tinha uma moça ou uma mulher que me esperava, mas nem com ela eu trocava uma palavra, mesmo com ela eu abaixava a cabeça. Chovia o tempo todo, passavam-se os dias, os meses, e eu tinha os sapatos furados, a água me entrando nos sapatos, e não era mais nada que isso: chuva, carnificinas nas manchetes dos jornais, e água nos meus sapatos furados, amigos mudos, a vida em mim como um sonho surdo, e não-esperança, calmaria.
Isso era terrível: a calmaria na não-esperança. Dar o género humano como perdido e não ter vontade de fazer coisa alguma quanto a isso, nem vontade de me perder, por exemplo, com ele. Eu estava perturbado por furores abstratos, não no sangue, e ficava quieto, sem vontade de nada. Não importava que minha namorada estivesse me esperando, estar com ela ou não, ou folhear um dicionário, era para mim a mesma coisa; e sair para ver os amigos, ou ficar em casa, era o mesmo para mim. Estava quieto; como se nunca tivesse tido um dia de vida, nem jamais soubesse o que é ser feliz, como se nada tivesse a dizer, a afirmar, a negar, nada de meu para pôr em jogo, nada a escutar, a dar, e nenhuma disposição de ganhar, como se em todos os anos de minha vida nunca tivesse comido pão, bebido vinho, ou tomado café, nunca tivesse estado na cama com uma mulher, nunca tivesse tido filhos, nunca tivesse brigado a socos com alguém, ou não achasse tudo isso possível, como se eu nunca tivesse tido uma infância na Sicília, entre os figos-da-índia e o enxofre das minas, nas montanhas; mas, dentro de mim, eu me agitava com os furores abstratos, e pensava sobre o gênero humano perdido, abaixava a cabeça, e chovia, não dizia uma só palavra aos amigos, e a água me entrava nos sapatos.
...

Elio Vittorini, “Conversa na Sicília”, primeiro capítulo da primeira parte
© Cosac & Naify

posted by Anónimo on 20:31


 
Há livros que nos perseguem



“Sicília” de Danièle Huillet e Jean-Marie Straub é um dos meus filmes: visto, revisto, esquadrinhado, memorizado. Soube desde logo que tinha de ler o livro de Elio Vittorini, mas quando? Um dia descobri que estava traduzido para português e editado pela Cosac & Naify, do outro lado do Atlântico. Na terça-feira a Maria, vinda de umas férias de verão na Bahia, para além da pele morena e dos sorrisos trouxe-me o precioso livro e eu parto de novo para Sicília e troco as rabanadas e o bolo rei por arenque e um melão de inverno.

Infelizmente talvez “Conversa na Sicília” nunca seja editado no nosso país e nunca assim deste modo tão magnífico com estas belas fotografias, com este minucioso cuidado gráfico, e é pena.

Conversa na Sicília motivou um detalhado esquema de edição por parte da Cosac & Naify. Tudo começou no ano passado [2001], quando o escritor Valêncio Xavier sugeriu a publicação da obra, mas seguindo o mesmo formato original.

Ele utilizava uma edição de 1953, editada pela Bompiani, que hoje é rara até mesmo na Itália por um diferencial: o livro é ilustrado por 188 fotografias, feitas sob a rigorosa orientação do próprio Elio Vittorini e que traduzem seu lirismo siciliano. As edições atuais, por questões econômicas, simplesmente eliminaram as imagens. "São figuras vagas, com legendas imprecisas e que parecem trabalho de iniciante", comenta Xavier. "Mas é justamente esse seu principal encanto: apesar do tom nebuloso, elas não pretendem explicar o texto de Vittorini, mas elevá-lo à posição das grandes fantasias."

Há anos vivendo em Curitiba, Valêncio Xavier é apaixonado por Conversa na Sicília, chegando a recitar trechos inteiros, em sonoro italiano.


© Italia Oggi

posted by Anónimo on 19:55


 
interceptei o carteiro e roubei este postal:

LA CARTE POSTALE de Peter Handke



Chère Danièle et cher Jean-Marie,

Les voix coléreuses-cordiales, Catane, Syracuse, les beaux vêtements robustes, les yeux lumineux, les douces lèvres énergiques, la danse du repasseur de couteaux: derviche, les centimes, le zézaiement qui ouvre l'âme de celui qui rentre au pays, les sièges vides dans le train, le discours sur l'amour (le récit!), la voie ferrée, la marche à pied, le manger, les aliments, (je viens de goûter des câpres de l'île de Pantelleria), le merveilleux dessin des chaises, le pain, le vin, le melon d'hiver, le baryton!, le grand Elio Vittorini (très bouleversante, sa photo à la fin): vous avez découvert, montré et fait exploser dans mon coeur le cinéma, le film, comme pour la première fois. Sicilia! est la somme de votre oeuvre, et le comble de la colère, de la douceur, du rythme; temple, cabane!
Ainsi vous salue votre Peter Handke (buon anno!)
15 janvier 1999

posted by Anónimo on 17:50


 
sob escuta



Show the world how much you hate Christmas by celebrating it every day

posted by Anónimo on 17:47


 


Sandro Botticelli, Madonna of the Pomegranate (Madonna and Child and Six Angels), c.1487; Panel; Uffizi Gallery, Florence

Ofereço outra romã

posted by Anónimo on 11:59


 
Acordo com uma romã...

romã

como a um fruto
que mais do que uma época tem um dia
guardo-te o momento exacto
será doce a romã de janeiro
se tanto de dezembros ansiada
será(s) suave nessa noite que te prometo
como a lisura rosada dos bagos

Cláudia Caetano



posted by Anónimo on 11:34


 


Lá havia lido as Mil e uma noites e tantos livros, de velhas histórias, de velhas viagens, aos sete e oito e nove anos, e a Sicília era também isso aí, Mil e uma noites e velhos vilarejos, árvores, casas, gente de velhíssimos tempos por meio dos livros. Depois esqueci, na minha vida de homem, mas tinha dentro de mim, e podia recordar, reencontrar. Feliz de quem pode reencontrar!
É uma sorte ter lido quando se era menino. E dupla sorte ter lido livros de velhos tempos e velhos países, livros de histórias, livros de viagens e as Mil e uma noites, em especial. Pode-se recordar também aquilo que se leu como se de alguma maneira o tivesse vivido, e tem-se a história dos homens e todo o mundo em si, como a própria infância; Pérsia aos sete anos, Austrália aos oito, Canadá aos nove, México aos dez, e os hebreus da Bíblia, com a torre da Babilônia e David no inverno de seis anos, califas e sultões em um fevereiro ou um setembro, no verão as grandes guerras com Gultavo Adolfo etc. pela Sicília-Europa, em uma Terranova, uma Siracusa, enquanto todas as noites o trem leva embora soldados para uma grande guerra que é todas as guerras.

Elio Vittorini, Conversa na Sicília

posted by Anónimo on 11:22


 
As mãos de Georgia O'Keeffe



fotografadas por Alfred Stieglitz, em 1918

Stieglitz photographed me first at his gallery "291" in the spring of 1917. … My hands had always been admired since I was a little girl — but I never thought much about it. He wanted head and hands and arms on a pillow — in many different positions. I was asked to move my hands in many different ways — also my head — and I had to turn this way and that. … Stieglitz had a very sharp eye for what he wanted to say with the camera. When I look over the photographs Stieglitz took of me — some of them more than sixty years ago — I wonder who that person is. It is as if in my one life I have lived many lives. … His idea of a portrait was not just one picture. His dream was to start with a child at birth and photograph that child in all of its activities as it grew to be a person and on throughout its adult life. As a portrait it would be a photographic diary.

Georgia O'Keeffe, 1978

© The Metropolitan Museum of Art, New York

posted by Anónimo on 10:59


quarta-feira, dezembro 24, 2003  
os bolos de fruta, Buddy




This is our last Christmas together.

Life separates us. Those who Know Best decide that I belong in a military school. And so follows a miserable succession of bugle-blowing prisons, grim reveille-ridden summer camps. I have a new home too. But it doesn't count. Home is where my friend is, and there I never go.



A Christmas Memory, de Truman Capote

posted by Anónimo on 19:12


 
Ode

Prazer, mas devagar,
Lídia, que a sorte àqueles não é grata
Que lhe das mãos arrancaram.
Furtivos retiremos do horto mundo
Os depredandos pomos.
Não despertemos, onde dorme, a Erínis
Que cada gozo trava.
Como um regato, mudos passageiros,
Gozemos escondidos.
A sorte inveja, Lídia. Emudeçamos.

Ricardo Reis

posted by camponesa pragmática on 16:14


 
um som profundo do Outono


Eugène Cuvelier, A Floresta de Fontainebleau (cerca de 1860)

A IF não acabou.
"Há um traço azul no futuro incandescente".


Como a floresta
Faz de mim a tua lira
Importa que também as minhas folhas caiam
O tumulto das tuas poderosas harmonias
Virá arrancar-nos
um som profundo do Outono
Suave
apesar da sua tristeza

Shelley

A Íntima Fracção está de novo no ar. É a emissão especial de Outono, um projecto conjunto da Janela e do Francisco Amaral.

Agradecemos a todos que participaram e principalmente ao Francisco Amaral que apesar de tudo, apesar das agruras destes tempos difíceis realizou esta emissão e colocou-a [com o entusiasmo da Paula Simões, a ajuda do João Ventura (CEMEIA) e a disponibilidade do Pedro Pais e de todo o pessoal do CIC, da ESEC. E, claro, da própria ESEC.] no ar.

Podia enunciar uma série de adjectivos mas creio que todos seriam desajeitados e imperfeitos, há pouco para dizer, muito para escutar, tudo para sentir. Por favor apaguem as luzes, fechem os olhos e entrem

o sonho vai começar

nota: o alinhamento já está disponível aqui e o cd está para breve...

posted by Anónimo on 15:24


terça-feira, dezembro 23, 2003  
Pequeno Tratado das Ilusões #1

Os homens silenciosos, como nós, não temos medo. Por isso - e há sempre que se precaver - a palavra é a nossa armadilha, a nossa tocaia. E caso seja irrecusável falar, preferimos as palavras duras, consonantais, todas aquelas palavras que trazem no seu bojo a recordação de uma arma. Não é preciso dizer que somos muito perigosos. (conto #23, Já faz muitos anos)

O “Pequeno tratado sobre as ilusões”, de Paulinho Assunção está a ser partilhado. É uma leitura que vai de para e depois volta e torna outra vez, numa linha inesperada que liga o Porto a Belo Horizonte.



Nós também vamos apanhar esse ônibus.

(continua)

posted by Anónimo on 22:43


 
The gift of blog

— Hummmmm, a quem é que vou oferecer um blog?



posted by Anónimo on 22:39


 
W. Eugene Smith - Let Truth be the Prejudice



The Smith children © W. Eugene Smith/ Magnum



Toys seen through a window © W. Eugene Smith/ Magnum



Port au Prince. 1958. A stockade for the mentally ill. © W. Eugene
Smith/ Magnum


posted by camponesa pragmática on 10:44


 
Only a few stars can be found within ten light-years of our lonely Sun, situated near an outer spiral arm of the Milky Way galaxy. But if the Sun were found within one of our galaxy's star clusters, thousands of stars might occupy a similar space. What would the night sky look like in such a densely packed stellar neighborhood? When Roger Hopkins took this picture at the Montezuma National Wildlife Refuge in the Finger Lakes region of western New York, USA, he was struck by this same notion. Appropriately, he had photographed a flock of starlings against the backdrop of a serene sunset. He then manipulated the image so that the black bird silhouettes were changed to white. The final picture dramatically suggests the tantalizing spectacle of approaching night in crowded skies above a cluster star world.




posted by camponesa pragmática on 02:16


 
Albert Camus
dans la postérité de
la Méditerranée

PAR JOSÉ LENZINI

Au commencement était la mer. Débordant de ses rives au fil des marées, des
vagues de la mémoire ou de l’histoire.
L’enfant se moque bien de tout ça…
Le jeudi, dès que le temps (et la grand-mère) le permet, il quitte le logement muet
du “quartier pauvre” pour aller à la mer, se “taper” un bain.
Situé sur la rue de Lyon, artère bruyante du quartier populaire de Belcourt, l’appartement
est exigu. Cinq personnes y vivent dans trois pièces : la grand-mère, son fils
cadet, Mme Catherine Camus, Albert et son frère aîné Lucien. Pas d’eau courante, ni
d’électricité, de chauffage ou de radio. La vie s’immobilise dans l’attente du soir.
Cet univers du silence tranche avec l’extérieur, la rue qui grouille en permanence,
où se mêlent les cris des enfants, les appels des hommes, le tohu-bohu des charrettes
et du tramway.


(continua aqui)

posted by camponesa pragmática on 01:46


segunda-feira, dezembro 22, 2003  
sob escuta:


posted by camponesa pragmática on 21:59


 
Glosa de Natal



A estação dos Natais comercializados chegou. Para quase toda a gente — fora os miseráveis, o que faz muitas excepções — é uma paragem quente e clara no Inverno cinzento. Para a maioria dos celebrantes de hoje, a grande festa cristã fica limitada a dois grandes ritos: comprar, de maneira mais ou menos compulsiva, objectos úteis ou não, e empanturrar-se a si e às pessoas da sua intimidade, numa mistura indestrinçável de sentimentos em que entram igualmente a vontade de dar prazer, a ostentação e a necessidade de se divertir. E não esqueçamos os pinheiros, símbolos antiquíssimos que são da perenidade do mundo vegetal, sempre verdes, trazidos da floresta para acabarem morrendo ao calor dos fogões, e os teleféricos despejando esquiadores na neve inviolada.
Embora não sendo nem católica (excepto de nascimento e de tradição), nem protestante (excepto por algumas leituras e influências de alguns grandes exemplos), nem mesmo cristã no sentido pleno do termo, nem por isso me sinto menos levada a celebrar esta festa tão rica de significados e o seu cortejo de festas menores, o São Nicolau e a Santa Lúcia do Norte, a Candelária e os Reis. Mas limitemo-nos ao Natal, esta festa que é de nós todos. Trata-se de um nascimento, de um nascimento como todos deveriam ser, o de um criança esperada com amor e respeito, trazendo em si a esperança do mundo. Trata-se dos pobres: uma velha balada francesa canta Maria e José procurando timidamente em Belém uma hospedaria para as suas posses, sempre desprezados em favor de clientes mais ricos e reluzentes e por fim insultados por um patrão que «detesta a pobralhada». É a festa dos homens de boa vontade, como diria uma admirável fórmula que infelizmente já nem sempre se encontra nas versões modernas dos Evangelhos, desde a serva suda-muda dos cantos da Idade Média que ajudou Maria no parto até ao José aquecendo as fraldas do recém-nascido diante de um pequeno fogo, aos pastores cobertos de sebo mas julgados dignos da visita dos anjos. É a festa de uma raça tantas vezes desprezada e perseguida, porque é judeu o recém-nascido do grande mito cristão (falo de mito com respeito, e emprego a palavra no sentido dos etnólogos modernos, significando as grandes verdades que nos ultrapassam e de que precisamos para viver).
É a festa dos animais que participam no mistério sagrado desta noite, maravilhoso símbolo de que São Francisco e alguns outros santos sentiram a importância, mas que os cristãos comuns desprezam, não procurando neles inspiração. É a festa da comunidade humana, porque é, ou será dentro de dias, a dos três Reis cuja lenda quis que um fosse preto, alegoria viva de todas as raças da Terra levando ao Menino a variedade dos seus dons. É a festa da alegria, mas também da dor, pois que a criança hoje adorada será amanhã o Homem das Dores. É enfim a festa da própria Terra, que nos ícones da Europa de Leste vemos tantas vezes prosternada à entrada da gruta onde o Menino nasceu, a mesma Terra que na sua marcha atravessa neste momento o ponto do solstício de Inverno e nos arrasta a todos para a Primavera. Por esta razão, antes que a Igreja tivesse fixado o nascimento de Cristo nesta data, ela era já, nos tempos antigos, a festa do Sol.
Parece que não é mau lembrar estas coisas que toda a gente sabe e que tantos esquecem.

Marguerite Yourcenar
Publicado no Le Figaro de 22 de dezembro de 1976, pág. 30. Incluído no livro “O Tempo esse grande escultor”, edição da Difel, com tradução de Helena Vaz da Silva

posted by Anónimo on 21:23


 
Classificados

O ano passado o meu filme de natal foi o “Fanny e Alexander” e este ano, onde é que vejo “The Dead”, de John Huston?



Better pass boldly into that other world, in the full glory of some passion, than fade and wither dismally with age.
Gabriel, na última cena

posted by Anónimo on 21:22


 
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