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sábado, março 20, 2004  

Shall we ever meet again?

Shall we ever meet again?
And who will meet again? Meeting is for strangers,
Meeting is for those who do not know each other

T.S.Eliot


À hora do almoço sentei-me com o Duque de Portland, o Trevelyan, o Lord Trend e, perto de mim, ali mesmo à mão, o Eliot. À passagem trocamos sorrisos de galhardetes comunicativos ele bebia vinho branco e eu latino tinto.
Durante o almoço não quis ideias geniais apenas marquei pormenores de passagem afectuosa —, tudo se desenrolou numa expectativa e os versos continuavam e ele estava encolhido, perdido e em forma de concha apresentava-se de consistência flácida —, a certa altura o ritmo declarou-se pagão e eu preparava a frase numa confudão de ananazes, Vossa Excelência e poesia. Quando me aproximei as esquinas do pensamento poliram-se e falámos calma tranquila e minhotamente — ele tinha também gostado estático do Alto Minho. Os génios ingleses são acanhados, receptivos e simples como os grandes homens — afinal entre mim e o Eliot só havia uma diferença poética.
Depois do longo da tarde fizemos cortesias e não pensei mais no poeta — estávamos entretidos a desempenhar papéis equilibrados — a questão passou e o cerimonial acabou quando rápido vim para o comboio londrino. Qual não foi o meu espanto quando vejo o artista sentado ao meu lado no vágão restaurante — então conversámos —, eu excitei-me — ele encolheu-se um pouco mais e olhávamos a paisagem verde de vacas maltadas e molhadas — o sol e o azul tinham aparecido no firmamento e nós trocávamos monossílabos e garfadas.
Falava da beleza de Portugal e meditava mais um pouco —, ele era aquele poeta
«Que têm olhos vagos e ausentes
E verdes como os olhos dos videntes.»

Ruben A., “Páginas (I)”
© Assírio & Alvim

posted by cristina on 14:55


 

In my end is my begining

V

E assim aqui estou, no meio caminho, tendo passado vinte anos —
Vinte anos muito mal gastos, os anos de l'entre deux guerres
A tentar aprender a usar as palavras, e cada tentativa
É um inteiro recomeço e um diferente tipo de fracasso
Pois apenas se aprendeu a tirar o melhor das palavras
Para aquilo que já não tem de se dizer, ou para a maneira pela qual
Já não se está na disposição de o dizer. E assim cada investida
É um novo começo, uma incursão no inarticulado
Com equipamento gasto sempre pronto a deteriorar-se
Na desordem geral de sentimentos imprecisos,
De indisciplinados pelotões de emoção. E o que há para conquistar,
Por força e obediência, já antes foi descoberto
Uma vez ou duas, ou várias vezes, por homens que não podemos ter esperança
De emular — mas não se trata de competição —
Trata-se apenas da luta para recuperar o que se perdeu
E achou e perdeu outra e outra vez: e agora, sob condições
Que parecem desfavoráveis. Mas talvez nem ganho nem perda.
Para nós, há apenas a tentativa. O resto não é connosco.

A casa é de onde se começa. À medida que envelhecemos
O mundo fica mais estranho, o padrão mais complicado
De mortos e de vivos. Não o momento intenso
Isolado, sem antes nem depois,
Mas uma vida inteira a arder em cada momento
E não a vida inteira de apenas um homem
Mas de velhas pedras que não podem ser decifradas.
Há um tempo para o anoitecer sob a luz das estrelas,
Um tempo para o anoitecer sob a luz do candeeiro
(A noite com o álbum das fotografias).
O amor é mais aproximadamente ele próprio
Quando o aqui e o agora deixam de importar.
Os homens quando velhos deviam ser exploradores
Aqui ou acolá não importa
Temos de estar quietos e quietos mover-nos
Para uma outra intensidade
Para uma ulterior união, um comungar mais fundo
Através do frio escuro e da desolação vazia,
O grito da onda, o grito do vento, as vastas águas
Da procelária e do golfinho. No meu fim está o meu começo.

T.S. Eliot, East Coker
"Quatro Quartetos", tradução de Gualter Cunha, edição da Relógio d'Água, Janeiro de 2004

posted by cristina on 14:27


 

uma força sem objecto


jacto de água, 1979


Não serás mais do que areia, erva, pó ou gota de água
(Gilles Deleuze. Francis Bacon, logique de la sensation)

D.S.— (…)Vê um conteúdo erótico no jacto de água? Sei que pode não ter sido conscientemente desejado: é óbvio a partir do modo como as coisa foi feita.

F.B.— Para mim é apenas um jacto de água.

D.S.— Talvez. Vejo-o como algo mais porque para mim o quadro, tal como o erva, tem uma espécie de energia animal —não uma elementar energia macro cósmica mas uma energia que tem uma animalidade, mesmo uma escala humana.

F.:B.— O que eu gostava é que essas coisas fossem uma essência, que se pudesse dizer de uma paisagem e uma essência de água. Era o que eu gostava que fossem.

in David Sykvester, Interviews with Francis Bacon (1975).

posted by zazie on 01:15


 

o acaso manipulado



F.B.—Penso que tendo a destruir os melhores quadros, ou aqueles que foram os melhores até uma certa dimensão. Experimento e tento levá-los mais longe, e eles perdem todas as suas qualidades, e perdem tudo. Penso que posso dizer que tendo a destruir todos os meus melhores quadros.

D.S.— Nunca consegue retroceder quando o processo tende a ultrapassar o topo?

F.B.— Agora não, e cada vez menos. Como o modo como trabalho é totalmente acidental, e torna-se cada vez mais e mais acidental, e não parece ser de outro modo que não seja acidental, como posso recriar um acidente? É uma coisa praticamente impossível de se fazer.
(....)
D.S.— Já tínhamos falado da roleta e da sensação que se tem na mesa em que cada um está como que sintonizado com a roda e não pode fazer nada errado. Como é que isto se relaciona com o processo da pintura?

F.B.— Bem, tenho a certeza que existe uma forte relação. Afinal de contas, foi Picasso quem disse uma vez: “Não preciso de jogos de azar, estou sempre a lidar com eles”.

in David Sykvester, Interviews with Francis Bacon (1975).

posted by zazie on 01:02


sexta-feira, março 19, 2004  

Cry me a river



Letra despeitada esta. Penso sempre isso quando ouço. De gaja despeitada. Mandar um gajo chorar um rio é violento, é bonito heheheh E depois há uma altura em que a voz de Ella se ergue acima de tudo e já não consigo concentrar-me no que diz, é só som, só voz, só música, uma das maravilhas do mundo, a única maravilha do mundo.

posted by camponesa pragmática on 21:47


 


Bonnie Prince Billy, Werner's Last Blues To Blokbuster
para a Ale e para o Luís

posted by cristina on 13:21


 

Vendaval Maravilhoso

É uma das jóias da coroa da programação da Cinemateca Portuguesa para este mês: "Vendaval Maravilhoso", a última longa-metragem de ficção de José Leitão de Barros, é hoje exibido às 21h30 horas, numa cópia nova que resulta de um trabalho de restauro que se prolongou por dois anos. O filme, uma co-produção luso-brasileira de 1949, com Amália Rodrigues no principal papel feminino, foi durante muito tempo considerado um "caso perdido" do cinema português.
[…]


Notícia de Vasco T. Menezes no Público

posted by cristina on 12:44


 

Wants

Beyond all this, the wish to be alone:
However the sky grows dark with invitation-cards
However we follow the printed directions of sex
However the family is photographed under the flag-staff -
Beyond all this, the wish to be alone.

Beneath it all, the desire for oblivion runs:
Despite the artful tensions of the calendar,
The life insurance, the tabled fertility rites,
The costly aversion of the eyes away from death -
Beneath it all, the desire for oblivion runs.

Philip Larkin

para nebia (não estou a conseguir abrir as torneiras)

posted by camponesa pragmática on 02:11


quinta-feira, março 18, 2004  

Cenere









Il pianeta Terra è una palla grigia coperta di cenere e detriti. Il suo perenne viaggio è accompagnato da voci disperate che si esprimono in russo e a volte in americano. Probabilmente sono astronauti persi negli spazi, che non sanno più dove e come atterrare. Questi uomini sono i soli che hanno visto la foresta dell'Amazzonia in fiamme e l'acqua dei poli che invadeva i continenti, trascinando le balene tra i grattacieli di New York e gli elefanti in alto mare. Poi tutto è diventato vapore e l'azzurro dell'acqua è scomparso nel cielo e le ossa degli animali e delle città sono diventate sedimenti polverosi.
[…]


de Lorenzo Mattotti e Tonino Guerra


posted by cristina on 20:34


 

1.99 - um supermercado que vende palavras

Esta semana estreia no Brasil o último filme de Marcelo Magasão. Quando é que podemos apreciar por cá esse supermercado sem logotipo nem cores? Não vejo a hora...







Da Reuters Brasil:

ENTREVISTA-Masagão ataca consumismo sem usar palavras em "1,99"

SÃO PAULO (Reuters) - Um dos dois únicos filmes (ambos brasileiros) a enfrentar a poderosa máquina de lançamento de "A Paixão de Cristo", de Mel Gibson, será "1.99 -- Um Supermercado que vende Palavras", que estréia em três salas de São Paulo nesta sexta-feira e na próxima semana, no Rio de Janeiro.

No filme, o diretor paulistano Marcelo Masagão desfia uma crítica original ao consumismo, situando cerca de 80 atores no cenário de um supermercado -- só que despido de seus apelos publicitários, todo pintado de branco e com prateleiras repletas de caixas da mesma cor e conteúdo abstrato, descrevendo idéias e sentimentos. Uma patinadora seleciona os que podem entrar e os que continuam do lado de fora.

Diretor dos documentários "Nós que Aqui estamos por vós esperamos", "Nem Gravata nem Honra" e "Um Pouco Mais, um Pouco Menos", Masagão, de 46 anos, tece aqui uma reflexão sobre o consumo, seu ponto de partida, juntamente com o co-roteirista Gustavo Steinberg (co-autor do script de "Cronicamente Inviável", de Sergio Bianchi).

Durou cerca de um ano e meio este processo de pesquisa e filmagem, num projeto que custou cerca de 900.000 reais, incluídos os custos de produção, finalização e divulgação.

Um reforço extra ao lançamento de "1.99" é a presença, pela primeira vez no Brasil, do compositor belga Wim Mertens, autor da trilha deste filme e também de "Nós que Aqui Estamos Por Vós Esperamos".

Mertens fez uma única apresentação na quarta-feira no Sesc Vila Mariana, em São Paulo. Curiosamente, o diretor brasileiro e Mertens, apesar das duas parcerias, não se conheciam pessoalmente ainda.

"Todo nosso trabalho se completou através de alguns poucos emails", contou Masagão em entrevista à Reuters. Agora, que os dois se conhecem, ele acredita que a colaboração vai continuar.

Masagão descreve seu processo de criação, sempre idêntico: "Escolho um tema e mergulho nele. Depois, vou atrás do fio da meada para conseguir contar sua história".

"NO LOGO" INSPIRA FILME

No meio do caminho, um segundo tema associado surgiu: "o narcisismo, estritamente ligado ao consumo no campo da vaidade", segundo a percepção do diretor. Mas o caminho das pedras lhe foi sugerido pela leitura do livro "No logo", da canadense Naomi Klein.

No livro, a autora analisa a "fetichização" das marcas e os altíssimos custos da publicidade. Pensando nessa idéia do fetiche atribuído pelos consumidores às grifes, Masagão e Steinberg chegaram ao cenário do supermercado, num de seus passeios de pesquisa de campo.

"Olhando as gôndolas, a gente começou a prestar atenção nas diversas mensagens da propaganda, usando palavras superlativas e personalizando o contato, usando muito a palavra 'você"', explica o diretor.

A conclusão, para ele, foi contundente: "Apesar de o capitalismo pregar que existe a democracia dentro dele, seu discurso é sempre absolutista: 'Eu sou o máximo, sou tudo, me compre"', justifica.

Como em todos os seus outros filmes, não há diálogos. Uma opção que, para o diretor, faz todo sentido: "Vivemos no século das imagens. Mas em 95 por cento da produção de cinema e televisão as palavras estão o tempo todo didatizando as imagens. Isso para mim não faz sentido."

Para ele, seus filmes são formados por pequenas células, que partem de um conceito, de uma idéia, e vão se conectando. "O fluxo dessas idéias é que faz o espectador entender o que está acontecendo. Acho que isso prende sua atenção, ao mesmo tempo que o deixa em dúvida. Eu deixo lacunas para que ele complete."

Masagão rejeita, porém, um rótulo que com freqüência lhe é aplicado: experimental. "Acho que isso assusta as pessoas", afirma.

E isso é a última coisa que ele quer. Entretanto, acha que seus filmes vêm conseguindo empatia com o público. Sucesso no circuito de arte e premiado em vários países, "Nós que Aqui estamos por vós esperamos" agora está sendo estudado em escolas de cinema.

(Por Neusa Barbosa, do Cineweb, especial para a Reuters)



posted by Luis on 18:33


 

À Sombra de Deus



O Vítor conseguiu finalmente escrever a história dos Mão Morta e de toda a movimentação cultural em Braga durante os anos 80. “Mão Morta – Narradores da Decadência” é o título da biografia da banda de Adolfo Luxúria Canibal, editada pela Quasi Edições. A obra será apresentada na cidade dos arcebispos, no próximo dia 27 de Março, pelas 17h30, na livraria Centésima Página, Praça da Faculdade de Filosofia. O Encontro contará, como é óbvio com a presença do autor e dos elementos da banda. Apareçam!

posted by Luis on 18:07


 

Atenção.



"Like a busy urban family, planets rarely get together all at once. Later this month, however, the five so-called naked-eye planets -- Mercury, Venus, Mars, Jupiter and Saturn -- will reunite in the night sky, giving spectators a unique chance to see Earth's closest companions in one easy sitting.

The gathering will be visible every night for an hour after sunset, beginning around March 22 and lasting about two weeks..."


posted by camponesa pragmática on 02:29


 

Sedna


© NASA/JPL-Caltech

Ao fundo, o sol.
+ aqui.

posted by camponesa pragmática on 00:18


quarta-feira, março 17, 2004  

who is your audience?

Suzanne Vega no Teatro Massimo de Palermo, vinte seis minutos: 56k | Adsl

Primavera italiana

La città è di marmo
di pietra. Qui la storia è
nei castelli vicino l'acqua.
La gente veste di lana,
di pelle, di seta,
di bianco, marrone e verde.

"A nome di chi parli?"
mi chiese.

"Dell'uomo nell'angolo
che ha voglia di libertà.
Della ragazza senza voce
nè scelta contro il linguaggio insensibile.

Della persona nella cella
con la finestra così alta
che cadi in ginocchio
Se vuoi vedere il cielo"

posted by cristina on 19:59


 

Banda sonora para fazer o jantar!

Count Basie's Blues Inside Out: on and on and on and on.

Eu punha aqui a tocar com a maior das boas vontades, mas não consigo. Paciência. É assim, caríssimos, enquanto as homepages gratuitas que vêm com as contas de acesso à internet não permitirem uploads de ficheiros de som de tamanho superior a 200 (duzentos) KB, nem um assobio. A culpa não é minha. É deles. Estou certa de que é perseguição pessoal contra a minha pessoa. Sim, que eu sei ler os símbolos!

posted by camponesa pragmática on 19:56


 
Amanhã, a não perder, no canal 2:, às 22



Paris, Texas de Wim Wenders


posted by Lídia on 15:46


 
Outro Poema

Perguntais-me porque estou aqui, na montanha azul.
Eu não respondo, simplesmente sorrio, o coração em paz.
Caem flores, corre a água, tudo se vai sem deixar marca.
É este o meu universo, diferente do mundo dos homens.


Li Tai Po
Mesa dos Amigos
(versões de poesia por Pedro Silveira)


posted by Lídia on 13:47


 
A inundação da Primavera
Engrandece a alma-
Assola as terras
Mas deixa o vazio da Água-

No qual a alma antes esquiva-
Busca debilmente a costa
Mas quando aclimatada- deixa de ansiar
Por essa Península-

Emily Dickinson
Esta é a Minha Carta ao Mundo e Outros Poemas
(tradução de Cecília Rego Pinheiro)


posted by Lídia on 13:44


 
Abbas Kiarostami, Untitled , colour photo - 50x60 cm

Para mim sonho e realidade são aliás coisas muito próximas: o sonho ajuda-nos a fugir à realidade. E o cinema tem origem exactamente onde nascem os sonhos. Ajuda-nos a criar esses sonhos, a torná-los possíveis. Se o sonho está muito longe da realidade, perde a sua essência. Só tem valor quando mergulha as suas raízes no real. É como uma janela que se abre num quarto quando nos falta o ar e que podemos voltar a fechar quando quisermos. Essa janela sem o quarto não faz sentido. O sonho deve estar sempre ligado à realidade. Mas um quarto sem janela também não faz sentido. E insisto que este jogo de vaivém entre sonho e realidade não provém ou não se aprende no cinema. É a vida que no-lo ensina, muito mais do que o cinema.


Abbas Kiarostami

posted by António Rebelo on 13:33


 

sob escuta (e sob influência do 5 minutos de jazz)



A arte para piano de Brad Meldhau. “Standards retocados”, diz José Duarte. Ou então: “um piano que se espreguiça”.

It might as well be spring

posted by cristina on 13:21


 

Dia após dia

Dia após dia, a glória da primavera rivaliza com a glória do sol.
As estradas que serpenteiam até à cidade na colina cheiram a flores de amendoeira.
Quanto tempo até que os fios do coração, livres de cuidados,
Flutuem, como a alfazema, por longa distância.

Li Shang-Yin, tradução de José Alberto Oliveira
© Assírio & Alvim, Gato Maltês #17

posted by cristina on 13:19


 

Sob influência




posted by Lídia on 13:14


 

Sob influência


posted by camponesa pragmática on 12:54


terça-feira, março 16, 2004  

The Trees

The trees are coming into leaf
Like something almost being said;
The recent buds relax and spread;
Their greenness is a kind of grief.

Is it that we are born again
And we grow old? No, they die too.
Their yearly trick of looking new
Is written down in rings of grain.

Yet still the unresting castles thresh
In fullgrown thickness every May.
Last year is dead, they seem to say,
Begin afresh, afresh, afresh.

Philip Larkin



É provável que eu tenha postado este mesmo poema num dos últimos meses. Já não estou certa de ter ou não dominado o impulso de o fazer. Seja como for, agora é que é, porque agora é que está a acontecer. Nos últimos dias, as árvores em frente à minha casa ficaram verdes. Duas ou três folhas apressadas nasceram antes das outras todas e ontem nasceram as outras todas.



É impressão minha ou os sons ficam todos mais intensos no início da Primavera?


posted by camponesa pragmática on 13:58


 

Un ànzal si bafi

U i era un ànzal si bafi
ch’u n’era bón da fè gnént
e invéci da vulè datònda mé Signòur
l’ avnéva zò te Marèccia
dróinta la chèsa d’un cazadòur
ch’e’ tnéva i gazótt impaièd
d’impi sòura e’ sulèr d’un cambaròun.
E l’ànzal u i butéva e’ furmantòun
par avdài s’i l magnéva.
E dai e che te dai
sa tótt i sént ch’i ridéva di su sbài
una matóina i gazótt impaièd
i à vért agli èli e i à ciàp e’ vòul
fura da la finestra, dróinta l’aria de’ zil
e i cantéva che mai.

Tonino Guerra


posted by cristina on 13:49


 
Ele faz anos. Oitenta e quatro. Tonino Guerra é o príncipe de Montefeltro. Se pudesse, levava-o àquela Villa em Sorrento para vermos juntos o chão coberto de pétalas de rosa, pintadas como se tivessem sido espalhadas pelo vento. Em Agosto, col mare dentro agli occhi.


posted by cristina on 13:22


 

Educação

"[...] O problema torna-se mais complicado quando o atraso educativo de Portugal é de tal ordem que mesmo progressos assinaláveis e sem paralelo entre os Estados-membros continuam a deixar o país no fim da tabela. [...]" Isabel Leiria, no Público


© Bruno Barbey

posted by camponesa pragmática on 12:32


 

Eh! Meu Irmão!

Roubado ao nosso amigo Animal

Eh! Meu Irmão (Ou Mais Uma Canção de Medo)
Letra e Música de Sérgio Godinho – album Pré-Histórias,1972

Eh, meu irmão, que é que tens
que tremes como um chouriço?
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que viste bicho!

Um bicho vi, sim senhor,
enroscou-se a mim e pediu-me amor
tinha corpo de mulher
cabelo encaracolado
beijou-me, apagou as luzes
e eu então gritei!
Ai, um bicho!

Eh, meu irmão, que é que tens
estás branco que nem um nabo!
Eh, meu irmão que é que tens,
parece que viste o diabo!
Vi mesmo, bateu à porta
disse que o povo estava na rua
e que a rua era do povo
que é p'ra quem ela foi feita
e o povo somos nós todos
e eu então gritei:
Ai, o diabo!

Eh, meu irmão, que é que tens
estás branco como o jasmim!
Eh, meu irmão, que é que tens
o que é que te pôs assim!
Foi o medo da água fria
o medo da vida, o medo da morte
o medo da lua-cheia
o medo da lua-nova
o medo até de ter medo
que me faz gritar
Ai, que medo!

E assim com medo de tudo
perdeu meu irmão a vida
e assim com medo de tudo
viveu-a e não foi vivida
meteram-no num caixão
às duas por três, num dia de Verão
desceram-no p'ra uma cova
deitaram terra por cima
espetaram-lhe uma cruz
ita missa est
Ámen



posted by zazie on 02:19


segunda-feira, março 15, 2004  

Dia de Cólera, de Carl Dreyer


Programa dinamarquês original de 1943, Palladium, Copenhaga

Sessão da noite: lotação esgotada!

posted by cristina on 20:04


 

Degas | Seated Dancer | 1873


posted by camponesa pragmática on 19:40


 
Livro de Assentos #49

Coisas que se podem encontrar nos bolsos de um morto


- um piano silenciado sobre o rio com asas de morcego
- uma lata de chá vazia, excepto algumas pestanas no fundo
- os versos finais de um poema pagão
- seis centímetros quadrados de memória do tacto, com escamas
- partitura com a voz da água como soa vinda dos lugares interiores interditos
- os olhos esplendorosos de uma estátua
- mapa do sol desenhado em papel amarelecido, rasgado nas dobras
- impressões do medo quando dentro do sono foge à razão
- trinta metros de rede para tapar o cais

Copiado de: I would prefer not to say
Arquivado em: I would prefer not to tell

posted by Escrivão on 18:55


 

© Peter Marlow

posted by camponesa pragmática on 15:45


 

Primeiras impressões

O mal é o ritmo dos outros

Como em criança não me prestei a brincar com a areia das praias (privação desastrosa que sentirei durante toda a minha vida), veio-me, já fora de tempo, o desejo de brincar, e agora mesmo o desejo de brincar com os sons

Henri Michaux, "O retiro pelo risco" (1949)
© Fenda

posted by cristina on 13:46


 

O Mar

O que eu percebo, o que é meu, é o mar indefinido.
Aos vinte e um anos, evadi-me da vida das cidades, aventurei-me, fui marujo. A bordo havia muito que fazer. Fiquei espantado. Pensava que num navio a gente fitava o mar, que infindavelmente fitávamos o mar.
Os barcos foram depois desaparelhados. Era o desemprego dos marítimos que assim começava.
Voltando as costas àquilo, fui-me embora, não disse nada, tinha o mar dentro de mim, o mar eternamente em meu redor.
Mas qual mar? Foi isto justamente que eu depois me vi impedido de explicitar.

Henri Michaux, "O retiro pelo risco" (Épreuves, exorcismes, 1940-1944)
© Fenda

posted by cristina on 13:39


 

Festa da Primavera no CCB

Grande auditório: 12h30 - Orquestra Académica Metropolitana dirigida por Jean Marc Burfin - Mendelssohn, Béla Bartók. 18h00 - Orquestra Sinfónica Portuguesa - B. Britten, Antonin Dvorák. Pequeno auditório: 11h30 e 16h30 - Violinhos - Coordenação de Rui Fernandes - a música clássica pelos mais novos - Vivaldi, Bach, Haendel, Shumman, Suzuki e Arlen.

21 DE MARÇO | ENTRADA LIVRE

posted by camponesa pragmática on 12:14


domingo, março 14, 2004  

Confusões geográficas



Descobri o James Stewart no Brasil.

E o André Ricardo Aguiar em Portugal.


posted by cristina on 19:54


 

La letra e

Dizia Augusto Monterroso que lhe bastava “ocupar media página en el libro de lectura de una escuela primaria de mi país”.
Não queremos exagerar, não é coisa que se faça a um autor que tão bem pratica a brevidade. Feitas as contas de conversão, meia página num manual equivale a uma tarde de domingo num blog? Nem mais:

"si lo quieres saber, nada me desilusiona más que la consabida frase con que alguien me informa entusiasmado de lo mucho que se rió con mi cuento tal o cual, y el cuento es tal vez aquel que a mí me emocionó hasta las lágrimas escribir, o aquel en que logré introducir alguna experiencia amarga de mi vida."

posted by cristina on 15:29


 

El zorro es más sabio

Un día que el Zorro estaba muy aburrido y hasta cierto punto melancólico y sin dinero, decidió convertirse en escritor, cosa a la cual se dedicó inmediatamente, pues odiaba ese tipo de personas que dicen voy a hacer esto o lo otro y nunca lo hacen.
Su primer libro resultó muy bueno, un éxito; todo el mundo lo aplaudió, y pronto fue traducido (a veces no muy bien) a los más diversos idiomas.

El segundo fue todavía mejor que el primero, y varios profesores norteamericanos de lo más granado del mundo académico de aquellos remotos días lo comentaron con entusiasmo y aun escribieron libros sobre los libros que hablaban de los libros del Zorro.

Desde ese momento el Zorro se dio con razón por satisfecho, y pasaron los años y no publicaba otra cosa.

Pero los demás empezaron a murmurar y a repetir “¿Qué pasa con el Zorro?”, y cuando lo encontraban en los cocteles puntualmente se le acercaban a decirle tiene usted que publicar más.

—Pero si ya he publicado dos libros —respondía él con cansancio.

—Y muy buenos—le contestaban—; por eso mismo tiene usted que publicar otro.

El Zorro no lo decía, pero pensaba: "En realidad lo que éstos quieren es que yo publique un libro malo; pero como soy el Zorro, no lo voy a hacer".
Y no lo hizo.

Augusto Monterroso

posted by cristina on 15:01


 

Augusto Monterroso, prática

El dinosaurio
Cuando despertó, el dinosaurio todavía estaba allí.

El mundo
Dios todavía no ha creado el mundo; sólo está imaginándolo, como entre sueños. Por eso el mundo es perfecto, pero confuso.

Vaca
Cuando iba el otro día en el tren me erguí de pronto feliz sobre mis dos patas y empecé a manotear de alegría y a invitar a todos a ver el paisaje y a contemplar el crepúsculo que estaba de lo más bien. Las mujeres y los niños y unos señores que detuvieron su conversación me miraban sorprendidos y se reían de mí pero cuando me senté otra vez silencioso no podían imaginar que yo acababa de ver alejarse lentamente a la orilla del camino una vaca muerta muertita sin quien la enterrara ni quien le editara sus obras completas ni quien le dijera un sentido y lloroso discurso por lo buena que había ido y por todos los chorritos de humeante leche con que contribuyó a que la vida en general y el tren en particular siguieran su marcha.

posted by cristina on 15:00


 

Augusto Monterroso, teoria

Unas palabras sobre el cuento

Si a uno le gustan las novelas, escribe novelas; si le gustan los cuentos, uno escribe cuentos. Como a mí me ocurre lo último, escribo cuentos. Pero no tantos: seis en nueve años, ocho en doce. Y así.

Los cuentos que uno escribe no pueden ser muchos. Existen tres, cuatro o cinco temas; algunos dicen que siete. Con ésos debe trabajarse.

Las páginas también tienen que ser sólo unas cuantas, porque pocas cosas hay tan fáciles de echar a perder como un cuento. Diez líneas de exceso y el cuento se empobrece; tantas de menos y el cuento se vuelve una anécdota y nada más odioso que las anécdotas demasiado visibles, escritas o conversadas.

La verdad es que nadie sabe cómo debe ser un cuento. El escritor que lo sabe es un mal cuentista, y al segundo cuento se le nota que sabe, y entonces todo suena falso y aburrido y fullero. Hay que ser muy sabio para no dejarse tentar por el saber y la seguridad.

posted by cristina on 14:55


 

Homenaje a Augusto Monterroso

Nadie antes en la literatura había debutado así. Con una colección de relatos titulada Obras completas (y otros cuentos). ¿Quién deseaba acabarlas? Para colmo, el libro contenía el relato más breve del mundo [El dinosaurio]. Y se levantaba contra la Solemnidad. Y, además, empezaba por el final, puesto que Obras completas era el título del último cuento. Del último cuento del volumen, que no de las obras completas del autor, que en los siguientes años se dedicaría a situarse, con la astucia de la oveja negra a la altura de Rulfo y Borges.

Contenía el libro momentos de alta ternura cervantina y superrealista: "A la orilla del camino vaca muerta muertita sin quien la enterrara ni quien le editara sus obras completas ni quien le dijera un sentido y lloroso discurso por lo buena que había sido".
Al cabo de los años La vaca volvería, pero sólo para dejar incompleta la obra y para recordarnos lo bueno que Monterroso era.

No le dieron el premio Cervantes los tarugos de siempre. Porque no era solemne ni engreído. Y porque no había escrito, decían, sus Obras Completas.

Enrique Vila-Matas | El País (Babelia) | 28 Fevereiro 2004

posted by cristina on 14:50


 
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