
Muitas lendas se enredam à volta desta singela florzinha representada num
herbário quinhentista. A chamada erva de S. Cristóvão, que tanto intrigou o nosso amigo
Luís, não se destinava apenas a curar doenças venéreas femininas ou outras enfermidades oriundas das profundezas maternas. Era também ela a flor das festas do mata-cão, quando terminava a canícula e os campos se livravam das ervas impuras e dos cães vadios e sarnentos.
Associada ao velho mito de
S. Cristóvão Cinocéfalo , a planta da morte da canícula é também a for mítica das lendas populares da renovação do tempo e das metamorfoses do corpo. O cão ou o lobo, é o ser gerado pelo parto dos homens mascarados das festividades carnavalescas dos ritos campestres ou o lobo da Obra maçónica que assimila estes rituais escatológicos.

Os velhos filmes de terror não vão esquecer a lenda. No
Werewolf of London(que inicialmente deveria ser protagonizado pelo dueto Karloff e Lugosi) a fantástica maldição da lupina vai atrair um jovem botânico que parte para o Tibete em busca da rara planta que só floresce à luz da lua. Como seria de esperar, os lobisomens tibetanos são largados às urtigas e o cerebral botânico acaba por libertar o seu lobo em Londres, encontrando o antídoto na própria florinha e na ansiosa namorada.