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domingo, outubro 24, 2004  

Adeus [episódio #2.2]



Já o outono?! - Mas porquê lamentar um sol eterno, se nos empenhamos na descoberta da claridade divina, - longe das pessoas que morrem com a mudança das estações?
O outono. A nossa barca fundada nas brumas imóveis dirige-se para o porto da miséria, a enorme cidade no céu maculado de fogo e lama. Ah! os andrajos putrefactos, o pão ensopado de chuva, a bebedeira, os mil amores que me crucificaram! Então nunca mais acaba este vampiro, que reina sobre milhões de almas e de corpos mortos e que serão julgados! Revejo-me com a pele remordida pela lama e pela peste, com vermes enchendo-me os cabelos e as axilas e outros ainda maiores no coração, estendido entre desconhecidos sem idade, sem sentimento... Podia ter morrido ali... Que pavorosa evocação! Abomino a miséria!
E receio o inverno por ser a estação do conforto!
- Por vezes, vejo no céu praias sem fim cobertas de alvas nações em regozijo. Uma grande nau de ouro, por cima de mim, desfralda os seus panos multicores à brisa da manhã. Criei todas as festas, todos os triunfos, todos os dramas. Tentei inventar novas flores, novos astros, novas carnes, novos idiomas. Pensei poder adquirir poderes sobrenaturais. Pois bem! tenho de enterrar a minha imaginação e as minhas recordações! Uma bela glória de artista e de contador de histórias destruída!
Eu!, que me intitulei mago ou anjo, dispensado de qualquer moral, restituído ao chão, em demanda de um dever, e a áspera realidade para estreitar! Pacóvio!
Engano-me? seria a caridade irmã da morte, para mim?
Enfim, pedirei perdão por me ter alimentado de mentiras. Vamos.
Mas nem uma mão amiga! e onde buscaria ajuda?



Sim, pelo menos a nova hora é rigorosíssima.
Pois posso dizer que a vitória me foi granjeada: o ranger de dentes, o silibar do fogo, os suspiros pestilentos atenuam-se. Todas as recordações imundas se apagam. Os meus derradeiros remorsos somem-se - invejas dos mendigos, dos malfeitores, dos amigos da morte, dos atrasados de todas as espécies. - Ah, amaldiçoados, se eu me vingasse?!
É preciso ser-se totalmente moderno.
Nada de cânticos: há que conservar o terreno ganho. Dura noite! o sangue seco fumega sobre o meu rosto, e nada tenho atrás de mim a não ser este horrível arbusto!? O combate espiritual é tão brutal como a batalha dos homens; mas a visão da justiça só para Deus é prazer.
Não obstante, é a vigília. recebamos todos os influxos de rigor e de ternura verdadeira. E, ao raiar da aurora, munidos de uma ardente paciência, entraremos nas cidades esplêndidas.
O que dizia eu de mãos amigas! A vantagem é que posso rir dos velhos amores enganosos, e encher de vergonha esses casais mentirosos, - eu bem vi o inferno das mulheres lá em baixo; - e ser-me-á permitido possuir a verdade num corpo e numa alma.

Abril - Agosto, 1873

Jean Arthur Rimbaud, "Uma temporada no inferno", tradução de Margarida Gil Moreira, edição da Ulmeiro, Junho de 1999
© Ulmeiro

posted by cristina on 13:10


 
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