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sexta-feira, dezembro 12, 2003  


Educação básica ainda não é para todos
Relatório da UNICEF mostra exclusão das raparigas


Cento e vinte e um milhões de crianças de todo o Mundo não vão à escola. As raparigas continuam a ser as menos escolarizadas: de acordo com um relatório do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) divulgado, ontem, em Paris, 65 milhões de meninas ficam fora das salas de aula.
O relatório conclui mesmo que o compromisso já firmado por 191 estados de garantir "a escola para todos", até ao ano 2015, é ainda remoto e que os outros objectivos como a escolarização básica geral e a igualdade entre sexos estão ameaçados. E com eles o desenvolvimento sutentado, a inversão do ciclo de pobreza e a correcção dos níveis de saúde infantil e materna.
Apresentando a melhoria da educação das raparigas como um motor de desenvolvimento, a UNICEF sublinha que "nenhuma estratégia dá tão bons resultados (como esta), quando se trata de aumentar a produtividade económica, reduzir a mortalidade infantil e materna, melhorar a nutrição e promover a saúde, designadamente ajudando a prevenir a propagação do vírus da sida". Em termos globais, a taxa de escolarização é de 83% para os rapazes e de 79% para as raparigas. Mas, por regiões, o panorama é pior. As raparigas dos países industrializados estudam mais do que os rapazes (97% contra 96%). Nos países em vias de desenvolvimento, a diferença é inversa e mais acentuada. Na África subsariana, 62% dos rapazes têm acesso à sala de aula, onde só entram 57% das raparigas.

Relatando várias experiências, a UNICEF demonstra que é possível inverter o ciclo de exclusão e de pobreza. No Afeganistão, a campanha "regresso às aulas" iniciada em 2001 com o apoio daquele fundo da ONU permitiu reparar centenas de estabelecimentos de ensino, permitindo a inscrição de quatro milhões de crianças, das quais um milhão de raparigas.
No Brasil, a iniciativa "Bolsa Escola" promovendo a educação contra o trabalho infantil, conferindo subsídios às famílias, foi tão exemplar que está a ser aplicada noutros países.
© JORNAL DE NOTÍCIAS

posted by camponesa pragmática on 12:05


 
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