Na noite de 21 de Junho de 1821, o barbeiro Johann Christian Franz Woyzeck apunhala a amante, Hannen Christianen Woost, no patamar da sua casa em Leipzig. Após ter vagueado algumas horas pelas ruas da cidade, rendeu-se, sem resistência, à polícia… Logo que foi descoberto o cadáver, as suspeitas dos agentes da lei recairam sobre o antigo barbeiro. Toda a vizinhança conhecia as crises de ciúme e os acessos de furia de Woyzeck. Nessa noite a sua amante tinha preferido sair com um militar a encontrar-se com ele. Woyzeck, à tarde, tinha mandado fixar um cabo de lâmina quebrada dum sabre. O testemunho dos vizinhos coincidem num outro ponto: o assassino, antes do crime, comportara-se de modo estranho, imaginava ouvir vozes, decifrava no céu figuras de fogo cujos sinais eram os dos pedreiros-livres. O tribunal ordenou um exame médico tendo em vista determinar o grau de responsabilidade mental de Woyzeck. O doutor Clarus, conselheiro da Corte, encarregado disso, declarou que embora as regras de vida e da moral do delinquente estivessem um pouco soltas, a lucidez de que tinha dado prova no decurso do inquérito interditava a tese de irresponsabilidade. A defesa exigiu um novo exame médico; o tribunal confiou-o de novo ao doutor Clarus. Após dez entrevistas e exames, este declarou que tendo adquirido um conhecimento mais aprofundado das circunstâncias do drama e da vida do réu, confirmva as conclusões do seu primeiro diagnóstico. O doutor Marc de Bamberg ataca violentamente Clarus. O barbeiro Woyzeck foi condenado à norte e executado a 27 de Agosto de 1824, na praça do mercado, em Leipzig.
O “Caso Woyzeck” despertou a opinião pública que o seguiu apaixonadamente. Provam-no as gravuras da execução com a praça do mercado pinhada de gente e prova-o o número de folhetos de cordel que circularam na época relacionados com o caso.