Estava parada no sinal vermelho quando ouvi as sirenes. Eram polícias em motas que abriam caminho aos carros enormes, escuros, topo de gama, cálculo, que vinham da Rua da Pena e viraram velozes para D. Pedro V. Eram os senhores do poder instituicional que se preparavam para abandonar as suas viaturas e os seus motoristas e entrar no mais moderno autocarro dos STCP, movido a hidrogénio. O desfile inaugural estava marcado para as 16h30 e eles já estavam atrasados mas isso é sempre assim, o poder mede-se pelo tempo de espera, não é?
Desviei-me da marginal e apontei para oriente. Fiquei a pensar como são estranhas estas inaugurações, hoje vai haver sorrisos a rodos, vão falar de ecologia, de fluxos de trânsito, da “mais valia”, todos os pormenores mais logo no noticiário das oito e o povo vai sorrir também e amanhã os reformados vão fazer bicha para aproveitar as viagens de borla, com certeza, para mais os autocarros são mais quentes que as suas casas velhas, está a tarde de domingo composta, passada, mais uma. Depois acaba a farsa e começa a vida real que não sei o que é mas sei que não é isto,... ou será?