quinta-feira, janeiro 08, 2004
Andar no cinema para ser contaminado por gravíssimos defeitos de carácter não é coisa que se faça a um velho católico e apostólico romano. Não acredito que se possam fazer bons filmes em pecado mortal e, por isso, espanta-me que a cólera do Senhor não se tenha ainda abatido sobre mim. É certo que o Senhor conhece a extrema pobreza em que vivo e, não obstante os caminhos da perdição seram infinitos, tem-me guiado certeiramente no exercício da minha arte.
Logo, no pequeno auditório (178 lugares) do Rivoli, às 21h30, por dois euros e meio. Será que a sala enche?
Sinopse: É de noite e a avenida junto ao rio está deserta. Samuel contempla calmamente o Tejo que corre aos seus pés. O senhor Elói, um velho marinheiro, aproxima-se para tentar saber as suas intenções. Samuel convida-o a acompanhá-lo no seu último mergulho no rio.
Estará a brincar ou a falar a sério? No último momento, o senhor Elói impede-o de se atirar à água e convida-o a dar uma volta pela cidade.
É dia de Santo António. Encontram três prostitutas, uma delas a filha muda do senhor Elói.
Samuel apaixona-se por ela e a água do Tejo já não o atrai como antes. Mas o rio continua a correr, esperando-o para um último mergulho.
O amor é uma coisa bastante embaraçosa. Pelo menos da forma como eu o entendo: como algo de absoluto. As coisas que aprendemos na vida podiam levar-nos a relativizar o amor. Isso se eu tivesse algum bom senso na cabeça. Não é o caso. Há uma teimosia em entender o amor como coisa absoluta. Sendo absoluta, não é possível. Ficamos com a ideia.