Como amo os teus olhos, minha amiga,
E a chama radiante que neles dança,
Quando por um instante fugaz eles se erguem
E o teu olhar voa célere
Como o relâmpago no céu.
Mas há um encanto mais poderoso ainda
Nos olhos voltados para o chão
No momento de um beijo apaixonado,
Quando brilha por entre as pálpebras baixas
A sombria, obscura chama do desejo.
Fyodor Tyuchev
Quatro exibições apenas. Hoje e na segunda-feira, no Cine-Estudio 222, às 18h45h e às 21h45h: Stalker, de Andrei Tarkovski.
Acabei de o rever aqui em casa e o espanto e sobressalto continuam – é o meu filme, desde há anos. Durante estes dias vamos viajar até à Zona, "o lugar mais calmo do mundo", diz o Stalker.
A Zona é um complexo de armadilhas. Armadilhas mortais. Não sei o que acontece aqui sem a presença humana mas assim que aparece alguém, começa tudo a mexer-se. As antigas armadilhas desaparecem e aparecem novas. Deixa de haver caminhos seguros. O caminho ora é fácil ora extremamente confuso. É isto a Zona. Pode parecer caprichosa mas é apenas, a cada momento que passa, aquilo que dela fazemos mentalmente.
posted by Anónimo on 00:11