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Janela Indiscreta
 
sábado, outubro 18, 2003  
Fale-nos das suas origens, da sua educação, e de como se tornou um realizador.
Não é uma questão fácil de responder. Gostaria de começar por dizer que, para além da literatura, que é uma das minhas paixões, também gostava muito de teatro radiofónico. Lembro-me de grandes actuações radiofónicas, de grandes actores, quando era pequeno. Fechava os olhos e criava o meu mundo imaginário nessa peça de teatro. Nunca imaginei é que eu próprio viria a ser realizador. Na minha família ninguém estava envolvido no mundo da arte. Nasci numa pequena aldeia na Sibéria que já não existe; construíram uma central hidroeléctrica e a minha pequena aldeia ficou submersa. Se quisesse visitar o sítio onde nasci, teria de apanhar um barco, viajar através das águas, e olhar para o fundo.

Que artistas, e não forçosamente realizadores de cinema, o ajudaram a definir-se a si próprio?
Aprendi muito com o mundo real que me rodeia. Muitas vezes essas pessoas nada tinham a ver com a arte. Eram apenas seres humanos gentis, generosos, honestos e belos. E com uma sólida educação. Mas a minha pedra basiliar foi, claro, Tchekov. Tive uma infância religiosa. A nossa igreja não acreditava na imagem. Eram anti-iconografia. Se se tinha algo a dizer, usavam-se palavras. A coisa mais importante que aprendi quando tinha uns vinte e tal anos foi que as imagens também são ideias. Demorei um bocado a perceber isso.

Quanto tempo demorou a filmar “Mae e Filho”?
Penso que, no total, as filmagens propriamente ditas demoraram uns vinte dias

Para conseguir obter a consistência daquelas nuvens, escuras e pesadas, esperou muito pelo tempo certo?
Sobre isso diria apenas uma coisa: Deus estava provavelmente a velar po nós nessa altura. Filmámos sempre os interiores em sítios onde a natureza nos parecia mais atraente e interessante. Não estávamos a filmar em estúdio. O nosso set era uma construção muito complicada numa duma perto da floresta, que se podia abrir e virar ao contrário. Isso permitia ao director de fotografia captar o sol e a luz, e criar e manipular como quisesse.

Alexander Sokurov entrevistado por Paul Schrader in Film Comment nº6 Nov./Dez. 1997 (excertos)
© Cinemateca

posted by Anónimo on 18:29


 
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