Lá está a velha máquina de escrever Underwood, poisada no tampo de madeira atarraxado à base de ferro de uma máquina de costura Singer, pintada de branco. Lá está a cadeira. Lá estão as fotografias que recordam os lugares do Mundo que foram dele (Lisboa, Porto, Coimbra, Carreço, Londres...), as cartas, as memórias, os documentos. Também os livros, os amigos e os neologismos, espalhados pelo chão como folhas que tivessem saído imperfeitas do rolo da máquina de escrever. E ainda obras de arte, muitas e de respeito, com assinaturas de Vieira da Silva, Cargaleiro, Menez e tantos outros. Ali está, na Biblioteca Almeida Garrett, no Porto, uma parte do que ficou da passagem pelo mundo do cidadão Ruben Andresen Leitão, ou do escritor Ruben A. (1920-1975), que, para esta função, não precisava de mais do que uma letra maiúscula a servir-lhe de apelido.
A exposição “Ruben A. – Tempo, Escrita, Memória” inaugurou no passado sábado e serve de aperitivo ao colóquio dedicado ao escritor, que decorrerá quinta e sexta-feira. Depois disso, a mostra continuará até 13 de Junho, recordando e (talvez) ressuscitando a escrita do homem que fez construir uma casa a que deu o nome de Sargaço. Até lá, haverá ainda lugar para visitas guiadas (o jornalista Germano Silva, que conheceu e trocou correspondência com o escritor, será o guia no dia 7 de Junho) e leituras, a cargo dos actores António Durães, João Cardoso e Rosa Quiroga. Para os mais pequenos (e não só), a iniciativa reservou ainda uma oficina de observação e expressão, partindo de escritos de Ruben A. Em torno das cores.
Biblioteca Almeida Garrett
De ter. a sáb., das 10h00 às 18h00; dom., das 14h00 às 18h00
Nos nossos arquivos é possível ler a história dos Pardos (do livro Cores, editado pela Assírio & Alvim): aqui a primeira parte e aqui a segunda
posted by Anónimo on 13:35