Há qualquer coisa no György Ligeti que me atrai mas nao sei bem o que é. Ainda agora estava a ver o fim de um documentário no arte e lá fiquei embasbacada a olhar para ele, cheia de pena por não o ter apanhado desde o início. Se não me engano este documentário já passou no Mezzo e, com sorte, poderá passar um dia destes no Artes & Letras da rtp2. É rodado durante uma viagem de comboio e Ligeti fala de tudo: do regime comunista que considerava a música ocidental, em geral, e a dodecafónica, em particular, como obra do diabo; fala do medo que se seguiu à morte de Staline “tinhamos medo que o que viesse depois ainda fosse pior”; fala de si próprio e reconhece que, por baixo da sua grande afabilidade e doçura, há uma grande agressividade (que está patente na sua música).
Quase no fim disse que se vê a si próprio num labirinto, nunca sabe onde vai chegar, aliás parece que o objectivo dele é mais perder-se.
Para além da música das esferas, gostei muito dos Nonsense Madrigals interpretados pelos King’s Singers.