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sábado, março 29, 2003  

Uma Nova Geração de Poetas

Hoje "Mil Folhas" dedica três páginas à poesia, mais precisamente à poesia da nova geração.
É verdade que a poesia está em alta. As editoras publicam mais poesia. "Quasi" é uma editora que, divulgadora de muitos títulos de poesia nestes últimos tempos, cresce. Sim, os jornais e as revistas dedicam "dossiers". Dedicam. Mas onde estão realmente as revistas e os jornais de poesia? Lembro-me da revista "Relâmpago", "Inimigo Rumor", "Hablar/Falar de Poesia" e muito menos .
Para mim, a "Colóquio Letras" continua a ser a minha favorita
Há várias opiniões de críticos e nomes são destacados.
Partilho da mesma opinião de Gastão Cruz quando diz:
"[Gastão Cruz crê] que se está a "descurar o esforço de transfiguração do quotidiano através da linguagem", em prol de uma abordagem "mais imediata, que não recua perante a pequena crónica do centro comercial, do bar ou do supermercado" e que não oferece a possibilidade de "uma leitura menos literal".
Mais adiante Gastão Cruz sublinha:
"Não podemos esquecer que alguns dos poetas que asseguraram a melhor produção desta década são de gerações anteriores, como Pedro Tamen, Fiama, Armando Silva Carvalho e Franco Alexandre, ou ainda Ramos Rosa e Eugénio de Andrade, que mantêm o seu alto nível."
O artigo longamente opinativo vem acompanhado por poemas e fotografias de Duarte Belo.
O primeiro poema pertence ao poeta Carlos Saraiva Pinto que é a revelação mais interresante do volume "Anos 90 e Agora", de Jorge Reis-Sá, segundo a crítica Rosa Maria Martelo.
Aqui fica o último poema do seu livro "Escrever Foi Um Engano" (2001).

a Pasolini

Sabes que eu
podia ter terminado
como o outro em óstia.

não porque tivesse um amante proletário violento
mas porque me opus a um lado e a outro
da conspurcação.

portanto leitor nunca te esqueças disso
nem da minha mente
tingida pelo sangue da adrenalina
do tempo furioso.

levantava-se um vento forte
em óstia semanas antes,
disse-me uma testemunha.
o mesmo vento áspero
que me faz hoje aquecer as mãos
com o bafo da minha boca
numa interminável
fila de refugiados entre a albânia e a grécia.

lembra-te pois disso leitor
e dá-me paz.

Carlos Saraiva Pinto


posted by Anónimo on 19:47


 
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