Litografias do pintor russo na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva até 13 de Abril
"Paris através da janela", um dos muitos quadros de Chagall em que a capital francesa é a personagem principal
"Marc Chagall - Obra Gravada de 1951 a 1964" é uma exposição que reúne 59 litografias realizadas pelo pintor russo durante esse período, mas que inclui ainda edições originais das ilustrações que fez para livros, para além de monografias e catálogos. A mostra reúne parte da colecção da Fundação Maeght, instituição fundada por Aimé Maeght, galerista e editor das obras de Chagall.
"Desde a minha tenra juventude, fiquei fascinado com a Bíblia. Ela sempre me pareceu - e ainda me parece - a maior fonte de inspiração poética de todos os tempos. Desde então, procurei o seu reflexo na vida e na arte".
Com estas palavras, Marc Chagall caracteriza parte da sua obra, muito influenciada pelo imaginário religioso. Uma influência que se reflecte não só na pintura, como se consubstancia em obras expressamente realizadas para catedrais ou sinagogas.
Nascido na Rússia em 1887, no seio de uma comunidade judaica, Marc Chagall foi um artista de múltiplos talentos - trabalhou com pintura, escultura, aprendeu as técnicas de gravação, elaborou vitrais, dedicou-se à ilustração de obras literárias, incluindo a Bíblia. Não deixa de ser curioso o facto de ser o livro sagrado dos católicos uma das fontes primordiais de inspiração de um judeu, o que só vem reforçar o carácter ecléctico de toda a sua obra.
"Não é possível inserir a obra de Chagall em nenhum dos movimentos artísticos da primeira metade do século XX. A sua pintura é intemporal, feita de sonhos e irrealidades, plena de poesia, bem características da sua origem eslava e judia", escreve o director da Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, José Sommer Ribeiro, no catálogo bilingue da exposição.
Na obra de Chagall reconhece-se, no entanto, a influência do expressionismo, do cubismo e do fauvismo - tendência estética dos finais do século XIX que procurou explorar ao máximo a expressividade das cores na representação pictórica e que teve como precursores Paul Gauguin e Vincent Van Gogh.
Além das 59 litografias, entre as quais Les amoureux, de 1951, Couple Ocre, de 1952, Nu dans la fenêtre, de 1953-54, Notre-Dame en gris, de 1955, Derrière le miroir, de 1964, serão expostas as edições originais ilustradas por Chagall para de "Et sur la terre...", de André Malraux e "Celui qui dit les choses sans rien dire", de Louis Aragon.
Conforme se pode ler no site da na Fundação Arpad Szenes-Vieira da Silva, a obra gráfica apresentada faz parte da colecção da Fundação Maeght - instituição fundada por Aimé Maeght, galerista e editor de Chagall - e representa um "importante trabalho realizado por um dos grandes pintores do século XX numa esfera mais confidencial, mas todavia muito significativa da sua obra" que "permite ter um contacto mais próximo, mais secreto também, com o percurso deste artista".