O número 6 da Ficções começa com um pequeno conto filosófico de Voltaire, História de um Bom Brâmane, sobre a paradoxal relação entre a sabedoria e a felicidade. Do Conde de Ficalho, botânico, poeta, ficcionista, cientista e professor, biógrafo e historiador, companheiro de Eça de Queirós nos “Vencidos da Vida”, inclui-se o clássico e esquecido A Caçada do Malhadeiro. Grande retrato de personagem é o conto satírico O Pelicano de Edith Wharton. Contista e romancista americana nascida em Nova Iorque, que se estabeleceu e morreu em França, Wharton é exemplar no tratamento da sociedade doméstica sua contemporânea – dos interiores nova iorquinos às agruras doces do exílio europeu, tudo é matéria para o seu imenso talento contístico. De Franz Kafka, em nova tradução de Manuel Resende, temos a Memória do Caminho de Ferro de Kalda, conto incompleto que faz parte do Diário de 1914. Em tradução de Luísa Costa Gomes inclui-se ainda o conto de Vladímir Nabókov, Chuva de Páscoa, escrito em russo em 1925 e recentemente descoberto e traduzido para inglês por Dmitri Nabókov. Com tradução do grego de Manuel Resende, descobrimos Um Grego Antigo de Hoje, de Kostas Takhtzis, autor ainda desconhecido entre nós . De Natalia Ginzburg publica-se pela primeira vez em Portugal um conto, A Mãe, retirado de Cinque romanzi brevi e altri racconti, em tradução de Clara Rowland, e dá-se a conhecer Giuseppe Pontiggia como contista, traduzido por José Lima, com Viagem à Nascente do Nilo, parte do extraordinário Vidas de Homens Não Ilustres. Por fim, uma nova autora, americana vivendo em Portugal, Mary Lydon, traduzida por José Lima, trata com humor e serenidade, o magno tema das obras em casa.