Cheguei agora mesmo do rivoli. Uma boa surpresa, Os Carabineiros de Jean-Luc Godard.
Algures, dois camponeses estúpidos e brutos (e com nomes desfazados) Ulysses e Michel-Ange são mobilizados pelos carabineiros para a guerra.
É lhes prometido tudo, num diálogo cínico e profundo. Eles partem e fazem o que têm de fazer: matam, violam, matam, divertem-se, matam, vão ao cinema, matam…
Há um bela cena no cinema quando o soldado tenta espreitar, por detrás da tela, a rapariga nua na banheira; há uma rapariga que recita frases de Lenine e fábulas de Maiakovsy; e as raparigas são todas bonitas, logo: é mesmo um filme do Godard.
Quando regressam, os soldados trazem às suas mulheres, Vénus e Cleopatra o mundo enquadrado em postais: as belezas naturais, os monumentos, os meios de transporte. Hilariante!
O filme é de 1963 e parece que na época não agradou nem à crítica nem ao público, diziam que ele era sujo e estúpido.
Godard respondeu que: “em relação à guerra, segui uma regra muito simples. Quis explicar às crianças não apenas o que é a guerra mas também o que têm sido desde as bárbaras invasões da Coreia ou da Algéria”.
Muito apropriado.
O ciclo continua. Amanhã passa (às 19h30) Onde Jaz o teu sorriso? o filme que o Pedro Costa fez sobre Danièle Huillet e Jean-Marie Straub durante a rodagem de Sicília. Fica o resumo do programa:
Há aqueles que se colam à realidade e não usam aí a sua imaginação, a sua limitada imaginação de criaturas limitadas… E há também aqueles que distorcem a realidade em nome da chamada riqueza da sua imaginação. O resultado, e isto é controverso, é que a imaginação é muito mais limitada no trabalho da segunda família do que no da primeira. Primeiro porque os da segunda família têm menos paciência, e como alguém disse, o génio não é mais do que muita paciência… Porque se se tiver muita paciência, esta estará, ao mesmo tempo, carregada de contradições. De outro modo, ela não terá tempo de se carregar. A paciência duradoura é, necessariamente, carregada de ternura e violência. A paciência impaciente só está carregada de impaciência. O belo Outono está de volta.
posted by Anónimo on 22:06