A tradução e introdução são do António Mega Ferreira e ele sintetiza bem a obra: “Os homens stendhalianos nunca fazem o que dizem; as suas mulheres nunca dizem tudo o que são capazes de fazer. Os homens entretêm-se a dar cabo das suas reduzidas hipóteses de felicidade, afogando-se na luta cega por um ideal ou, o que é ainda pior, entregando-se ao fatalismo que deles faz títeres nas mãos das mulheres. Mas estas movem montanhas por um objectivo, e esse fim último há-de ser sempre o horizonte da sua demência; Vanina não escapa ao protótipo stendhaliano, mas às virtudes tradicionais (a astúcia, a coragem, a devoção, o sentido prático) esta bela romana junta o orgulho e a amoralidade – e o perfume da traição. É irresistível.”