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Janela Indiscreta
 
terça-feira, maio 11, 2004  

José Mário Branco no Coliseu de Lisboa

Falar do concerto de José Mário Branco na sexta-feira passada implica falar de Resistir é Vencer, já que o concerto consistiu essencialmente na execução integral deste disco. Uma opção ousada, mas plenamente ganha. Que um disco desta complexidade, editado apenas escassas semanas antes, tenha resultado tão bem, ainda para mais num concerto aguardado com uma expectativa proporcional à raridade dos concertos de José Mário Branco, é um tributo à excepcional qualidade, à força das palavras, à inspiração melódica, ao brilhantismo e elaboração dos arranjos de Resistir é Vencer.

Começando com essa arrepiante viagem da noite para a luz que é Nem Deus nem Senhor (que pessoalmente achei o momento mais tocante da noite), passando pela empolgante Canção dos Despedidos, pelo lindíssimo As Contas de Deus, pelo fulgurante Do que um homem é capaz (já suficientemente conhecido do público para que alguns tivessem insistido em sublinhar com despropositadas palmas algumas das suas palavras, como se a música não fosse suficientemente eloquente) até ao final com a irisada Elogio de Caeiro, foi um concerto magnífico.



As canções mais antigas, como já se sabia desde o concerto de 1 de Maio no Porto, foram apenas fugazmente sugeridas, já no final, através de um medley interpretado pelo Coro Infantil dos Gambozinos, um dos muitos intervenientes de Resistir é Vencer. Foi uma opção original, certamente discutível (como se defende no Roda Livre), mas que me parece ter resultado muito bem, a julgar pela reacção do público no final (mesmo que tenhamos ficado ougados por uma revisitação mais substancial de canções antigas).

Soube a pouco? como se diz na Laranja Amarga, saberia sempre a pouco. Uma carreira como a de JMB encerra um potencial tão vasto para uma apresentação ao vivo que dificilmente seria de outra forma. Mas há uma coerência que me parece inegável nas opções de JMB: numa mão um disco novo, na outra uma evocação do passado confiada a um coro infantil. Como quem diz: o mais importante é o novo. E há no novo disco muito, mas mesmo muito para descobrir e apreciar.

PS: Há fotos do concerto no Retorta. Para já apenas dos ensaios, mas parece que mais haverá. Cá esperamos :)

posted by António Rebelo on 10:04


 
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