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domingo, maio 30, 2004  

Aula de Geografia #12 (com a participação especial de um certo Plume)

Um homem pacífico

Estendendo as mãos para fora da cama, Plume admirou-se de não encontrar a parede. «Ora esta», pensou ele, «se calhar as formigas comeram-na...», e tornou a adormecer.
Pouco depois, a mulher agarrou-o e sacudiu-o: «Olha, madraço», disse ela, «enquanto estavas para aí a dormir, roubaram-nos a nossa casa.» Com efeito, um céu intacto espraiava-se por todos os lados. «Bem, o que está feito, está feito», pensou ele.
Pouco depois, ouviu-se um barulho. Era um comboio que se abeirava deles a toda a brida. «Com tanta pressa», pensou ele, «há-de chegar com certeza antes de nós», e tornou a adormecer.
Depois, o frio despertou-o. Estava alagado em sangue. Alguns pedaços da sua mulher jaziam perto dele. «Com o sangue», pensou ele, «surgem sempre imensos contratempos; se aquele comboio não tivesse passado eu seria muito feliz. Mas, uma vez que já passou...», e tornou a adormecer.
- Vamos lá a ver, - disse o juiz - como é que o senhor explica o facto de a sua mulher ter sido ferida ao ponto de a terem encontrado dividida em oito pedaços, sem que o senhor, que estava ao seu lado, pudesse fazer um gesto para impedir o sucedido, sem sequer se ter apercebido. Eis o mistério. Está aí o cerne da questão.
«A esse respeito não o posso ajudar», pensou Plume, e voltou a adormecer.
- A execução fica marcada para amanhã. Acusado, tem alguma coisa a acrecentar?
- Desculpe - disse ele. - Não estive a par do assunto.
E tornou a adormecer.

posted by Henri on 10:26


 
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